Nita Clímaco, A Salto, 1967
Terça-feira, Setembro 30, 2008
Romance fundamental sobre a emigração portuguesa durante o Estado Novo, principalmente para França, muito citado e considerado um caso de estudo, visto ter sido dos poucos, senão o único, romance publicado (autorizado?) sobre o tema. É uma edição da autora, jornalista portuguesa radicada também ela em Paris, e que talvez não pudesse ser silenciada com duas cantigas. Assinado pela autora com dedicatória de “amizade e simpatia”. Lisboa/Paris, 1967. Capa de António Pimentel. 184 páginas [por abrir]. 11,5×18,5cm. Preço: 20 euros.





Informação Complementar:
Livreiros d’antanho (1): Manuel dos Santos
Quinta-Feira, Setembro 25, 2008
O ALFARRABISTA MANUEL DOS SANTOS, por João Paulo Freire (Mário):
Aquêle Manuel dos Santos que acompanhámos ao cemitério, merece bem duas palavras de necrologia. Êle foi o mais completo expoente do que é e do que pode ser uma vocação, porque, de ofício bem diferente, como seu irmão José, ambos se lançaram à vida de livreiros-alfarrabistas, ali em baixo ao fundo dos Paulistas, na mesma acanhada baiúca onde hoje pontifica José dos Santos.
Ali começou para os dois o comércio do livro raro e do livro usado. Do livro que já se não quere e do livro que ansiosamente se procura. Um dia o Manuel separou-se do irmão e veio para a esquina da Bica, já livreiro lançado, e uma que outra vez livreiro-editor, em assuntos camilianos. Foi o Manuel dos Santos que me editou, em 1917, A Campanha da Lápide, como cinco anos depois editava, a Alberto Pimentel, O Torturado de Seide.
Como livreiro, Manuel dos Santos foi dos mais arrojados do seu tempo. Pode afirmar-se que fêz o que se chama uma revolução no mercado do livro antigo. E sem ter fundos conhecimentos, quási sem base própria, era tal a sua vocação e a sua fôrça de vontade, que muitas vezes supria pela audácia inteligente a sua impreparação.
Deixa uma vasta obra de catalogação bibliográfica, obra importante, de admirável documentação, por cujas páginas passa o que temos de melhor na bibliografia portuguesa.
Como livreiro camilista, Manuel dos Santos, não só criou, a seis anos do centenário, o gôsto e a procura pelas raridades de Camilo, como, tornando-se o seu comentador bibliográfico, nos deixou a melhor, a mais completa e a mais interessante de tôdas as documentações que no género têmos sobre Camilo. São dois volumes e um tômo, já hoje raros, estimados e valorizados no mercado livreiro.
Na sua pequena loja, hoje muito desfalcada, havia, ainda não há muito, verdadeiras preciosidades que êle vendeu, principalmente para a Inglaterra e para o Brasil, e, pode afirmar-se que, tirando seu irmão José, tinha, como livreiro, a mais preciosa de tôdas as camilianas que eu conheço.
Activo, enérgico, trabalhador, morre na fôrça da vida, um rapaz ainda, quando precisamente os seus conhecimentos adquiridos o começavam a impôr como um valor na difícil e complicada ciência de conhecer os livros.
De bem conhecer, de bem os comprar, e de melhor os vender…
Tinha admiráveis qualidades como cidadão, e era, no meio livresco lisboeta, uma figura interessante que se impunha, pela sua lealdade, pela sua bondade, e para nós jornalistas pela amizade que a quási todos dispensava, amizade cheia de franqueza, amizade de quem percebia, por um fino espírito de subconsciência, que, jornalistas e livreiros, são duas classes afins.
Pobre Manuel dos Santos!
Ainda há meia dúzia de dias êle me dizia, brincalhão e alegre, referindo-se ao seu leilão marcado para ontem:
- Vê lá, não faltes. Olha que tens lá pechinchas!
Não faltes… Sim. Eu não faltei. Êle coitado é que não presidiu à venda dessas pechinchas.
Veio a morte [8 de Janeiro de 1922] antes de tempo e fechou-se a última folha dêste safado livro da vida que todos nós vamos agora lendo, parece que em 2.ª mão…
Que descanse em paz, o pobre Manuel dos Santos.
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«O Alfarrabista Manuel dos Santos» in João Paulo Freire (Mário), TÔRRE DO TOMBO… Crónicas Dispersas, Lisboa: Edição do Autor, 1937.
O cartão de visita do grande empresário de cinema dos anos 30 e 40, Vicente Alcântara (assinado, e com um pedido invulgar)
Quinta-Feira, Setembro 11, 2008
Cartão pessoal do empressário de cinema Vicente Alcântara, posterior a 1949, com belíssimas fontes tipográficas (a azul) da época e uma mensagem pessoal, no verso, dirigida ao cineasta Baptista Rosa, com o seguinte texto:
Preciso hoje 5.ª feira sem falta o texto, para domingo até às 5 horas.
Vicente Alcântara foi um empresário de cinema activo principalmente no 2.º quartel do século XX, melhor dizendo no período em que o cinema passou de mudo a sonoro, e do preto e branco à cor. Sócio-gerente da firma FILMES ALCÂNTARA, foi empresário do cinema Odeon desde 1937, ao qual juntou os cinemas Palácio e Royal a partir de 1949, tendo sido um dos responsáveis por introduzir nas salas de cinema portuguesas filmes de cariz popular, como os melodramas e musicais de línguas latinas. Em 1921, num famoso rasgo de génio e ainda no tempo do cinema mudo, foi o primeiro empresário, em sociedade com Artur Emauz, a contratar ALFREDO MARCENEIRO. No contrato ficou estabelecido que Marceneiro cantaria nos intervalos das sessões do cinema CHIADO TERRASSE, e ao que se sabe, tanto o fadista como as sessões do cinema saíram extremamente beneficiados, em termos de fama e público.
Medidas do cartão: 14×8cm. Preço: 10 euros.
algumas das melhores capas de sempre (1)
Quarta-feira, Setembro 10, 2008
Marce Grey, O Ninho da Águia, “tradução” [autoria] de Alice Ogando, 122 páginas, 11×15cm, N.º 6 da Colecção Violeta, Lisboa: Agência Portuguesa de Revistas, [s.d.]. Em bom estado. Preço (de capa): 5 euros.
Falando de capas saudosas, seria impossível não referir as colecções da Agência Portuguesa de Revistas. Difícil será descobrir os nomes dos ilustradores, que muitas vezes não eram referidos.
As ditas colecções tinham nomes muito kitsch:
- Colecção Rosa
- Colecção Pimpinela
- Colecção Bisonte
- Colecção Andorinha
- Colecção Madrepérola
- Colecção Camélia
- Colecção Orquídea
- Colecção Cristal
- Colecção Amorzinho, etc.
Vide abaixo a publicidade inserida no final d’ O Ninho da Águia, a outras edições da casa. O “congresso feminino” que elege a revista Mãos de Fada “com distinção” é um mimo:
3 edições de Teatro na Contraponto de Luiz Pacheco
Segunda-feira, Setembro 8, 2008
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Ibsen, João Gabriel Borkman, prefácio de Ángel Ganivet, versão portuguesa de Costa Ferreira e Luís Francisco Rebelo, ilustrado com fotografias (Villaret no papel de Borkman, etc.), 80 páginas, 12×17cm, exemplar cansado (capa com mancha de humidade, assinatura de posse no ante-rosto datada de 29 de Maio de 1968), N.º 1 Colecção Teatro no Bolso, Lisboa: Contraponto, [s.d.]. Preço: 6 euros.
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Luís Francisco Rebelo, D. João da Câmara e os caminhos do teatro português, 40 páginas, 12×17cm, exemplar em muito bom estado, N.º 15 da Colecção Teatro no Bolso, Lisboa: Contraponto, [s.d.]. Preço: 12 euros.
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Guillaume Apollinaire, Tirésias (Les Mamelles de Tirésias), tradução de Goulart Nogueira e Lopo de Albuquerque, desenhos de João Rodrigues e retrato de Apollinaire por Picasso, 72 páginas, 12×17cm, capa com algumas manchas, N.º 17 da Colecção Teatro no Bolso, Lisboa: Contraponto, [s.d.]. Preço: 8 euros.
algumas das piores capas de sempre (1)
Sábado, Setembro 6, 2008
Para o efeito geral, vale a pena reproduzir a sinopse da contracapa (sublinhados nossos):
Luísa é uma jovem entediada com o casamento com Jorge. Um pacato engenheiro na Lisboa do século XIX. A solidão e os livros românticos devorados durante as longas ausências do marido, preparam o espírito de Luísa para viver um tórrido caso de amor com um parente distante, recém chegado a Portugal: o primo Basílio, rico, galante e devasso.
Ele não é o esperado príncipe encantado, logo descobre Luísa, e o adultério poderia ter acabado no desinteresse mútuo, como tantos outros. Mas Juliana, uma criada invejosa, apodera-se de cartas trocadas entre ambos e passa a chantagear a patroa. É o começo de uma tragédia.
Eça de Queirós, O Primo Basílio, Ed. Nova Cultural [s.l./s.d.], 319 páginas, 16×23cm. Capa de Mangel. Preço (não paga a capa): 5 euros.
o livro de curso de Luís de Sttau Monteiro
Sexta-feira, Setembro 5, 2008
Do alto destas pirâmides cinco ou mais anos nos contemplam. CURSO JURÍDICO 1946-1951, da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, com professores como Adelino da Palma Carlos, Galvão Teles e Marcello Caetano, e um aluno especial: Luís de Sttau Monteiro. Duas páginas de colegas de curso estão assinadas pelos próprios (Sérgio Espada Antunes e João Henrique da Rocha Melo), dedicadas ao antigo director da RTP, João Baptista Rosa. Caricaturas de Fred. 17×23cm. 124 páginas. Preço: 25 euros.

a tradução como ganha-pão do intelectual
Quinta-Feira, Setembro 4, 2008
Uma lista de obras de autores estrangeiros, na sua maioria descartados da produção editorial hodierna, traduzidos por figuras célebres da cultura portuguesa do século XX, escritores, poetas, jornalistas e políticos.
ALFACE (João Alfacinha da Silva)
Histórias de Cronópios e de Famas, de JULIO CORTÁZAR. Tradução de João Alfacinha da Silva. Capa de Soares da Rocha. N.º 17 da Colecção Novas Direcções. 139 páginas. 13,5×18,5cm. Lisboa: Editorial Estampa, 1973. Preço: 5 euros (vendido).
Sophia de Mello Breyner ANDRESEN
A Anunciação a Maria, de PAUL CLAUDEL. Teatro. Tradução de Sophia de Mello Breyner Andresen. Desenhos de António Lino. 292 páginas. 13×18,5cm. Lisboa: Editorial Aster, [s.d.]. Preço: 10 euros (vendido).
BRANQUINHO da Fonseca
O Vermelho e o Negro, de STENDHAL. Tradução de Maria Manuel e Branquinho da Fonseca. Cartonado. 508 páginas. 15×21cm. Lisboa: Portugália Editora/Clube Português do Livro e do Disco, [s.d.].Preço: 5 euros.
Francisco BUGALHO
A Casa das Sete Empenas, de NATHANIEL HAWTHORNE. 2.ª edição. Tradução de Francisco Bugalho. Capa de João da Câmara Leme. Exemplar um pouco desgastado. 370 páginas. 12×19cm. Lisboa: Portugália Editora, 1967. Preço: 2,50 euros.
Mário CESARINY
A Subida de Hitler ao Poder: a imprensa e o nascimento duma ditadura, de ALFRED GROSSER. Tradução de Mário Cesariny de Vasconcellos. N.º 1 da Colecção Placard da Editorial Estampa, Lisboa, 1968. Ilustrado. Capa com um rasgo ao centro, mas inteira (vide foto). 251 páginas. 11×18cm. Preço: 7,50 euros (vendido).
Heliogabalo ou o Anarquista Coroado, de ANTONIN ARTAUD. Tradução de Mário Cesariny. Capa (estafada) de Manuel Rosa. N.º 2 da Colecção O Imaginário. 119 páginas. 13,5×21cm. Lisboa: Assírio & Alvim, 1982. Preço: 5 euros.(vendido)
Ana HATHERLY
O Peão Agressivo, de ROBERT LITTELL. Tradução de Ana Hatherly. Capa de Moreira Rijo. N.º 1 da Colecção Os Livros do Século. 280 páginas. 14×20cm. Lisboa: O Século, 1974. Preço: 5 euros.
Mário HENRIQUE LEIRIA
A Revolução da Arte Moderna, de HANS SEDLMAYR. Tradução de Mário Henrique Leiria. N.º 8 da Colecção LBL Enciclopédia. 133 páginas. 11×19cm. Lisboa: Livros do Brasil, [s.d.]. Preço: 5 euros (vendido).
Álibi para um Juiz, de HENRY CECIL. Tradução de Mário Delgado. Capa de João da Câmara Leme. N.º 5 da Colecção Olho de Lince, dirigida por Mário Henrique Leiria. 206 páginas. 11×16,5cm. Lisboa: Portugália Editora, [s.d.]. Preço: 3 euros (vendido).
Luiza Neto JORGE
A Pele Calejada, de RAYMOND GUÉRIN. Tradução de Luiza Neto Jorge. Capa de Ilda David. N.º 3 da Colecção O Imaginário. 96 páginas. 13,5×21cm. Lisboa: Assírio & Alvim, 1982. Preço: 8 euros.
Fernando LOPES GRAÇA

Contos, de TOLSTOI, DOSTOIEVSKI, GOGOL, SURGUCHOV, TASIN, KOROLENKO e GARIN. Tradução de Fernando Lopes Graça. Capa de César Fidalgo. N.º 2 da Colecção As Sete Partidas do Mundo. 160 páginas. 14,5×20,5cm. Lisboa: Ulmeiro, 2000. Preço: 5 euros.
José LUANDINO Vieira
A Laranja Mecânica, de ANTHONY BURGESS. Tradução de José Luandino Vieira. N.º 2 da Colecção Os Livros do Cinema. Encadernação editorial com sobrecapa. 222 páginas. 12×21cm. Lisboa: Diário de Notícias, 2004. Preço: 5 euros (vendido).
Manuel MENDES
O Ruivo, de YVES RENARD. Tradução de Manuel Mendes. 229 páginas. 12×19cm. Lisboa: Editorial Inquérito, 1943. Preço: 3 euros. (vendido)
Adolfo Casais MONTEIRO
Madame De… [seguido de] Julieta, de LOUISE DE VILMORIN. Traduções de Adolfo Casais Monteiro. Capa de Manuel Correia. N.º 7 da Colecção Latitudes, dirigida por Nataniel Costa. 248 páginas. 14×19cm. Lisboa: Estúdios Cor, 1954. Preço: 12,50 euros.
A Estrada de Tabaco, de ERSKINE CALDWELL. Tradução de Adolfo Casais Monteiro. Capa de Figueiredo Sobral. N.º 27 da Colecção Três Abelhas. Exemplar manuseado.182 páginas. 11×16cm. Lisboa: Editorial Inquérito / Publicações Europa-América, 1959. Preço: 7,50 euros. (vendido)
António Ramos ROSA
Saladelle, a Égua Selvagem, de M. VÉRITÉ. Tradução de António Ramos Rosa. Capa de Sebastião Rodrigues. N.º 4 da Colecção (juvenil) Nosso Mundo / Novelas e Aventuras, dirigida por Madalena Ferin, Maria Natália Duarte da Silva e Sophia de Mello Breyner Andresen. Com assinatura de posse na folha de rosto. 187 páginas. 11×16cm. Lisboa: Livraria Sampedro Editora, [s.d. – anos 60]. Preço: 6 euros.
Jorge SAMPAIO
Filhos das Trevas, de MORRIS WEST. Tradução de Jorge de Sampaio e Anais Bonnel. N.º 35 da Colecção Orbe. Encadernado em tela cinzenta sem capas de brochura e sem referências exteriores. 341 páginas. 11,5×18cm. Lisboa: Livraria Clássica Editora, [s.d.]. Preço: 2,50 euros. (vendido)
Filhos das Trevas, de MORRIS WEST. 2.ª edição. Tradução de Jorge de Sampaio e Anais Bonnel. Capa de Paulo Guilherme. N.º 35 da Colecção Orbe. Brochado. 341 páginas. 11,5×18cm. Lisboa: Livraria Clássica Editora, [s.d.]. Preço: 5 euros.
Forca na Areia, de MORRIS WEST. Tradução de Jorge de Sampaio. N.º 37 da Colecção Orbe. 340 páginas. 12×19cm. Primeiras páginas com picos de acidez. Lisboa: Livraria Clássica Editora, [s.d.]. Preço: 5 euros.
José SARAMAGO
08/15. A Derrota, de HANS HELLMUT KIRST. 3.ª edição. Tradução de José Saramago a partir da versão francesa. N.º 7 da Colecção Século XX das Publicações Europa-América, Lisboa, [1984?]. 371 páginas. 14×21cm. Preço: 5 euros (vendido).
Jorge de SENA
A Casa de Jalna, de MAZO DE LA ROCHE. Tradução e prefácio de Jorge de Sena. Capa de A. Garcia. 352 páginas. 13×18,5cm. Lisboa: Ulisseia, 1954. Preço: 5 euros.
Palmeira Bravas, de WILLIAM FAULKNER. Tradução, prefácio e notas de Jorge de Sena. Capa de Graça Alcide. N.º 122 da Colecção Contemporânea. 282 páginas. 12×18cm. Lisboa: Portugália Editora, 1972. Preço: 15 euros.
António SÉRGIO
Retratos de Mulheres, de SAINTE-BEUVE. Tradução de António Sérgio. Exemplar manuseado. 84 páginas. 13×20cm. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1932. Preço: 5 euros.
João Gaspar SIMÕES
A Desconhecida de Arcangel, de VÍTOR KONETSKI. Tradução de João Gaspar Simões. Capa de João da Câmara Leme. N.º 89 da Colecção Contemporânea. 250 páginas. 12,5×18,5cm. Lisboa: Portugália Editora, 1966. Preço: 5 euros (vendido).
Pedro TAMEN
Espanha Primeiro Amor, VLADIMIR POZNER. Tradução de Pedro Tamen. Capa de José Cândido. 120 páginas. 14×21,5cm. Exemplar manuseado. Lisboa: Edições António Ramos, 1978. Preço: 2,50 euros.
Vasco PULIDO VALENTE
Uma Aldeia na China Popular, de JAN MYRDAL. Ensaio. Tradução de Vasco Pulido Valente. Fotografias de Gun Kessle. Brochado. 404 páginas. 16×23cm. Lisboa: Moraes Editores, 1966. Preço: 5 euros.
Uma Aldeia na China Popular, de JAN MYRDAL. 2.ª edição. Tradução de Vasco Pulido Valente. Fotografias de Gun Kessle. Encadernação editorial. 404 páginas. 16×23cm. Lisboa: Moraes Editores, 1975. Preço: 7,50 euros.
uma história alfarrabista de Aníbal Fernandes
Quarta-feira, Setembro 3, 2008
Visitar o alfarrabista é acto de regras muito próprias. Jogo – faz-se entre adversários que se espiam e constroem lanços a partir de uma observação atenta de faces, sorrisos, olhares, de um gesto mais ou menos nervoso das mãos – moldado entre cautelas que a prática e só ela enuncia para adaptar ao risco de cada situação. E o alfarrabista, manejador das pretas, vemo-lo com características que se intercalam entre dois pólos – um deles aceitando toda a tralha como ouro, e marcando-a a preço de ouro, e outro senhor de duas ou três antigas ideias-feitas que deixam o caudal escorrer, indefeso, por inocências de uma vasta incultura literária e bibliográfica.
O visitante do alfarrabista especializa-se. Roda-se por farrapos de papel e bafios, acha-se capaz de saber estender a mão no momento certo ao livro certo e, com um olhar treinado em lincismos (palavra do próprio Celine, adiante), descobrir o tesouro oculto por um montão de destroços. O visitante roda-se e pode actuar sem correr do risco ao acidente. Começa a ter justa percepção de que este Yves Navarre, vendido ao desbarato, continuará a sê-lo mesmo que a sua dedicatória autógrafa (intimíssima – como é que é possível?…) lhe inspire um gesto menos controlado no momento da captura; mas aquele Tagore autografado (as voltas que o mundo dá!) por um conhecido realizador italiano de férias em Biarritz, pode implicar um grau de risco-em-escudos que aconselha calma e uma afectação bem mimada de grande desprendimento.
Há, no entanto, a situação superlativa do cheque-mate ao alfarrabista, rara nesta ronda de fanáticos mas a exigir, se aparece, o domínio mais sábio de todos os músculos faciais. Imagine-se, por exemplo, aquele lote de «franceses» vendidos ao quilo por uma viúva apressada, com preços que rodopiam em redor de um fulcro baixo de 50 escudos, e que lá no meio esconde, humilhado entre doudês, zolás e rolas, um mítico, um «impossível» Bagatelles pour un Massacre de Louis-Ferdinand Céline.
O visitante rodado começa por um instante de dúvida; passa a outro, imaginativo – quem sabe lá se a capa está «errada» e, pela espessura, embrulha mas é O Circo de Leão Penedo, ou a Ana Paula de um tal Paço d’Arcos – e só depois cai todo em si e vê que sim, que aquelas 400 páginas são, pura e simplesmente, «as tais», as que são capazes, num qualquer leilão de livros, em Paris, de pôr à mostra não sei quantas notas das maiores notas que lá se ganham e gastam. Para um cheque-mate eficaz há que pedir grande domínio a todo o corpo, exigir da voz a entoação plausível dos momentos neutros e empregá-la numa frase inventada ali, entre parâmetros da maior banalidade:
– Olhe, com o Namora vou levar mais este…
Depois, no eléctrico – como nunca chamado Prazeres – começa a ouvir-se o que gritam, irritadas, as Bagatelles. E embora no Poço dos Negros ainda não se tenha encontrado nada capaz de justificar uma maldição inapagável de 50 anos, passando em S. Bento já os insultos sobem de tom, e em Campo de Ourique segue de rastos todo um cortejo de judeus…
[Primeira parte da introdução de Aníbal Fernandes ao livro de Céline que traduziu para a Hiena, Vão Navios Cheios de Fantasmas…, Lisboa, 1986, capa de Augusto T. Dias, 63 páginas, 14x20cm, à venda cá na loja por 8 euros.]
Outras obras de Céline que por cá moram, igualmente em traduções de Aníbal Fernandes:
Viagem ao Fim da Noite; 1.ª edição desta tradução, 2.ª edição portuguesa; cartonado em tela verde (exemplar sem a sobrecapa de Luís Duran); 474 páginas, 14×23cm; 10.º volume da colecção Clássicos do Romance Contemporâneo, Lisboa: Ulisseia, 1973. Preço: 9 euros. (vendido)
Viagem ao Fim da Noite; 2.ª edição desta tradução, 3.ª edição portuguesa; brochado; capa de Luís Duran (semelhante à sobrecapa que cobria a 1.ª edição desta tradução); 474 páginas, 14×22cm; 10.º volume da colecção Clássicos do Romance Contemporâneo, Lisboa: Ulisseia, 1983. Preço: 10 euros. (vendido)

































