leilões de livros: impressões de um leigo (1)
Quinta-Feira, Outubro 23, 2008
Leilão Renascimento de ontem, 22 de Outubro, e anteontem, 21 de Outubro. Retiradas de leilão, por falta de licitações, duas primeiras edições, tão diferentes e tão poéticas, as suas datas de publicação distando 470 anos bem medidos: A Comunidade de Luiz Pacheco, e a Logica – um dos últimos incunábulos portugueses – de Pedro Hispano. Muito antes, um Botto (fase religiosa) só teve uma licitação. Alguns Reynaldo(s) dos Santos foram retirados: vulgares ou sobrevalorizados? O álbum da Cooperativa Árvore quintuplicou o preço base. Toda a edição com um toque de Almada se engalanou. Muitos álbuns de arte relativamente baratos ficaram por vender. Ninguém pegou numa história ilustrada dos balões. E houve pouca adesão a meia dúzia de obras sobre tipografia. Já no final da primeira noite, esgotado por todos estes dramas, perdi a cabeça e decidi ir até às últimas consequências no lote 455. Ao sinal de partida, ergui a raquete empedernido, preparado para tudo, percorrendo com olhar subreptício a sala em busca de adversários, à espera do início da contagem ascendente, acelerada, ininterrupta e louca, que me iria levar, tipo, à desgraça na vida. Mas na sala só havia silêncio. O desinteresse era total. O martelo bateu. O livro era meu.
algumas das melhores capas de sempre (2)
Terça-feira, Outubro 21, 2008
Garrick Almquist, Podes Triunfar na Vida, 160 páginas, 13×19cm, Lisboa: Empresa Literária Universal, [s.d.]. Manuseado. Preço: 7,50 euros (vendido).
A obra abre com uma nota instigadora:
É a negligência, quer dos homens quer das mulheres, que contribui principalmente para tornar as vidas tão penosas. Não empregam no tear, vista atenta, nem dedos ágeis, mas trabalham com indiferença, sem o cuidado preciso no emendar os fios arrebatados. Estamos acostumados a abandonar a obra cedo de mais, ao entender que um só fio arrebentado estragou o pano. Os homens que prosperam no mundo não desanimam, nem que se arrebentem cem fios.

É O Segredo, mas numa versão mais prática. E admira que este tipo de obras não estejam a ser reeditadas por cá, ou até distribuídas a novos clientes do Centro de Emprego. As ideias para criação de indústrias caseiras são mais que muitas:
Fabrico de Refrigerantes, Limonadas de Frutas, Pirolitos, Cervejas, Conhaques, Licores, Aguardentes, Vermouths, Pastilhas e Rebuçados, Café, Farinha de Banana, Doces, Torrão de Alicante, Perfumarias, Pomadas, Papel Mata-Moscas, Pastas e Colas, Sabões (15 tipos diferentes), Sabonetes (21 tipos diferentes), Pastas Dentífricas, Cremes Depilatórios, Tintas para Cabelo, Creme Anti-Rugas, Lixívias, Tintas de Escrever, Ceras, Espelhos, Etc., Etc., Etc.

epígrafe do D. Aleixo
Segunda-feira, Outubro 20, 2008

Tricas genealógicas aqui.
E Couto Viana a apresentar uma nova biografia (romanceada) do dito D. Aleixo, aqui.
um passe de imprensa de 1924
Terça-feira, Outubro 14, 2008

Com a chancela da Polícia de Segurança Pública de Lisboa, o passe de imprensa n.º 353 (ou 359, está sumido o número), relativo ao ano de 1924, para João Herculano Pereira, na altura redactor do Correio da Noite, mais tarde director do ABC. Com foto do jovem jornalista Herculano Pereira, selo branco e carimbo-assinatura do comissário geral da polícia. Gasto nas orlas. 7,5cm x 9,5cm. Preço: 10 euros.

dois outros coleccionadores de capas
Terça-feira, Outubro 14, 2008
- Capas e Companhia (filho do falecido Blog da Rua Nove, que também coleccionava autógrafos)
- Kaligraphias (autógrafos de escritores portugueses, com capa respectiva)
títulos misteriosos (1)
Sexta-feira, Outubro 10, 2008

Ler recensão de Luís Forjaz Trigueiros a esta obra: aqui.
——————————————————————
Da mesma autora:
- O Meu Noivo Tem um Tio
- A Mulher de Meu Pai
- Eu Sou a Mãe
- O Teu Marido Sou Eu
- Troquei Minha Mulher
- Sou uma Mulher Vulgar
- Sou um Seu Criado
- Entrou-me um Coração pela Janela
————————————————————
À procura de Alice Ogando, nascida com o século e vera operária da escrita popular (rádio, teatro, imprensa, autora de múltiplos pseudónimos para romances cor-de-rosa e colecções azuis, campeã de vendas, etc.), dei com informações preciosíssimas, postas à disposição do mundo por um leitor-arqueólogo, sobre a Agência Portuguesa de Revistas: história, colecções, reproduções, manancial, curiosidades e segredos. No mesmo site, a página sobre Vilhena tem aprovação do próprio, que é como quem diz, de todos nós, e há ainda um excelente repositório de dados relativos a cromos e cadernetas. Isto é trabalho humanitário.
Mestre MEC
Quinta-Feira, Outubro 9, 2008
Foi na segunda-feira mas passou-me ao lado: Miguel Esteves Cardoso entrevistado por Carlos Vaz Marques, sobre livros, comida, blogues, imprensa, etc., no Pessoal e Transmissível da TSF. Disponível para audição aqui.
Lélia Coelho Frota, Veneza de vista e ouvido, 1986 (edição de 100 exemplares, numerados e assinados)
Quarta-feira, Outubro 8, 2008








Lélia Coelho Frota, Veneza de Vista e Ouvido, colecção Belo Belo, tiragem de 100 exemplares numerados e assinados, fora de mercado, para oferta a amigos (este é o exemplar n.º 84). Edição bilingue, com tradução italiana de Luciana Stegagno Picchio. Prefácio de Alexandre Eulálio. Vinhetas de Maria Leontina. Projecto gráfico de Cecília Jucá de Holanda. 46 páginas. 12×16cm. Rio de Janeiro, 1986. Preço: 25 euros.
Outras curiosidades desta edição e deste exemplar: acabado de imprimir a 11 de Julho de 1986 (data do 48.º aniversário da autora); autografado com dedicatória para a esposa de Murillo Mendes (vide fotografia acima); com gralhas corrigidas manualmente pela autora (vide fotografia acima). Lélia Coelho Frota, historiadora de arte e especialista em cultura popular brasileira, foi curadora da representação brasileira nas Bienais de Veneza de 1978 e 1988, a primeira das quais corresponde à data em que este conjunto de poemas foi escrito.
Informação complementar:
- Um dicionário de arte do povo brasileiro, por Lélia Coelho Frota, na Aeroplano Editora: aqui.
- Antologia de poemas aqui.
- O exemplar n.º 21 de Veneza de Vista e Ouvido foi oferecido ao escritor brasileiro Lázaro Barreto (aqui).
uma pasta com recortes de jornal (1930-1951)
Sábado, Outubro 4, 2008

Uma reunião de recortes de jornal dos anos 30 e 40, agrupados sob a temática «História de Portugal – Escritores e Poetas».
Peça única, curiosa e invulgar: uma pasta de arquivo que agrupa recortes de jornal das décadas de 1930 e 1940, com a indicação a lápis, na lombada: «História de Portugal – Escritores e Poetas».
Na primeira parte do dossiê, reúnem-se recortes sobre João de Deus (14 recortes, entre 1930 e 1951, incluindo o 99.º aniversário da viúva do escritor), Ana de Castro Osório e Lutegarda de Caires (1 recorte sobre a morte de ambas as escritoras, sem data), Coimbra (8 recortes, incluindo a inauguração do busto de António Nobre em 1939 e o seu roubo em 1942; o poeta Cândido Guerreiro; e o fadista Hilário), e uma série de outros recortes sobre Gomes Leal, Guerra Junqueiro, Battistini, Marcos Portugal, Cesário Verde, Frei Luiz de Sousa, Garrett, Herculano, Camilo, o Conde de Vimioso (e a sua paixão pela Severa), Oliveira Martins, Antero de Quental (8 recortes, incluindo «A Iconografia Antheriana», publicada na revista ABC em 6 partes), Shakespeare, Goethe, Descartes, Lumiére, etc.
Na segunda parte do dossiê, recortes sobre criminosos famosos portugueses: João Brandão, José do Telhado (8 recortes, incluindo uma edição de literatura de cordel sobre «A Vida de José do Telhado», de 1898, com 32 páginas mas ao qual faltam as páginas 29 e 30) e o Remexido (criminoso algarvio do século XIX), 3 recortes).
Seguem-se uma mistura de vários artigos, sobre história, arte e ciência, tais como: o cinquentenário da descoberta do rádio pelo casal Curie; o pintor Rafael; Pasteur; um cientista português na América, Carlos Santos; um cão salva-vidas; uma conferência de Egas Moniz sobre o Abade Faria, e a inauguração em Goa de um monumento ao famoso hipnotista científico; Urbino de Freitas e a cura da lepra; etc., etc., etc.
O dossiê termina com uma viagem de exploração de Henri Lhote no deserto do Sahara, e cerca de 10 recortes sobre descobertas arqueológicas no Egipto, nos anos 40.
Preço da pasta: 40 euros. (vendida)








Rui Nunes, As Margens, 1968
Quinta-Feira, Outubro 2, 2008
As Margens, 1968, segunda obra de Rui Nunes, publicada a expensas próprias, distribuída pela Dom Quixote, na colecção Édipo (romance), n.º 3. // 154 páginas. // 12,5 x 18,5 cm. // Capa de António Magalhães. // Em óptimo estado. Peça de colecção (primeira e única edição). Preço: 20 euros.





Informação Complementar:



