Os Camarões 1888
Terça-feira, Junho 30, 2009





Versão do poeta e dramaturgo figueirense Acácio Antunes [1853-1927] de um curioso monólogo em verso de Jacques Normand, Les Écrevisses (consultar aqui o texto original ilustrado), adaptado à realidade portuguesa: Paris torna-se Azeitão.
ACACIO ANTUNES, OS CAMAROES. Monólogo em Verso. Traducção Livre de Les Écrevisses de Jacques Normand, Lisboa: Tavares Cardoso & Irmão Editores, 1888. /// 15 páginas. 11,5 x 17 cm. Capa com pequenos defeitos. /// Preço: 12 euros.
História das Lotarias em Portugal
Terça-feira, Junho 23, 2009
Primeira edição, com rubrica autógrafa do autor. Trabalho de monta onde, além da contextualização histórica (ensaio inicial, ou antelóquio, com mais de 50 páginas), se publica uma relação de todos os números premiados na lotaria (e respectivos prémios), com as datas e classificações, desde 1854 até 1942. PEÇA DE COLECÇÃO.





José Ribeiro Pinto, História das Lotarias em Portugal, Lisboa: Imprensa Portugal-Brasil, [cerca de 1942]. 352 páginas. 12 x 19 cm. /// Preço: 20 euros.
«OS ESTICADINHOS» há 58 anos
Terça-feira, Junho 23, 2009

Canções do Rancho Regional «OS ESTICADINHOS», ilustrado com uma fotografia de grupo, 32 páginas, 10,5 x 15,5 cm, Cantanhede, 17 de Agosto de 1951. ///Conjunto de canções editadas em formato de bolso, em 1951, que retratam a fase inicial do grupo fundado em 1935 (e que continua de boa saúde), com o grafismo típico da época. São 30 canções, viras, baladas e fados, com destaque para a autoria das letras e músicas de cada uma. Curiosa brochura, importante para a história etnográfica e musical da região da Gândara e da Bairrada. /// Preço: 13 euros.




Princípios e Preceitos Maçónicos, 1928
Terça-feira, Junho 23, 2009





Brochura desdobrável, de bolso, editada nos alvores do Estado Novo (1928), com a indicação visada pela censura:
PRINCÍPIOS E PRECEITOS MAÇÓNICOS, edição do Grémio Lusitano, com 6 páginas. RARA. Medidas de 6,5 x 10 cm (dobrada) e 19 x 10 cm (desdobrada). Inclui uma lista de «preceitos maçónicos», e outra, «da Maçonaria e seus princípios». /// Preço: 12 euros (vendido).
capa não assinada (1975)
Segunda-feira, Junho 22, 2009

A. Rego Cabral, HORA DE ESPERANÇA, Braga: Sociedade de Expansão Cultural, 1975. /// Comentário político, crónicas do pós-25 de Abril, relação com outras «horas de mudança» da política nacional (1128, 1386, 1580, 1640). /// Brochado. 250 páginas (maioria por abrir). 13 x 19,5 cm. /// Preço: 5 euros.
brochura GENERAL MOTORS anos 40/50
Sexta-feira, Junho 12, 2009






GENERAL MOTORS CONTINENTAL, brochura oblonga, texto em francês, documentando superficialmente o processo de fabrico de um automóvel da marca, referindo outros produtos General Motors e a organização industrial da fábrica francesa de Anvers. /// 40 páginas (incluindo a capa), 21,5 x 14 cm. Sem data. Em excelente estado de conservação. /// Preço: 10 euros.
livro-postal
Quarta-feira, Junho 10, 2009
«Vat 69»
Segunda-feira, Junho 8, 2009

Era depois da morte herberto helder
Ia fazer três anos que morrêramos
três anos dia a dia descontados no relógio
da torre que de sombra nos cobriu a infância:
rodas no adro — gira a borboleta que se atira ao ar
o jogo do berlinde o trinta-e-um pedradas
nas cabeças nos ninhos nas vidraças
Foi quando verdadeiramente começou
a conspiração dos líquenes cabelos e avencas
na mina onde molhámos nossos jovens pés
e tirámos retratos para morrer mais uma vez
Os nossos filhos — nós outra vez crianças —
comiam e gostavam de laranjas essas mesmas laranjas
que mordemos em tempos ao chegar nas férias de natal
no quintal que as máximas mãos deixaram já depois abandonado
Era a seguir à morte meu poeta
era na meninice havia festa e na sala da entrada
pensávamos na morte — nunca mais — pela primeira vez
Trincávamos cheirávamos maçãs no muro sobre a praia
roubávamos o balde ou íamos atrás do homem dos robertos
Era nas férias havia o mar e íamos à missa
ouvíamos a campainha e o padre voltava-se para nós
— orate fratres — ou íamos ao cemitério apesar do catitinha
Era depois da morte sobre a plana infância
o primeiro natal o cheiro do jornal
lido na adega ou na casa do forno
sentados pensativos sobre a terra húmida
Era na infância o sol caía enquanto água corria
entre os pés de feijão e os buracos de toupeiras
calcados prontamente pelas botas
soprava o vento e vinha a moinha da eira
o cão comia o bolo e morria debaixo da figueira
e teria sepultura com enterro e cruz e muitas flores
Havia casamentos o meu pai falava
e os noivos deitavam-nos confeitos das carroças
E os registos mistério tempo da prenhez
Era talvez no outono havia asma
havia a festa da azeitona havia os fritos
ao domingo havia os bêbedos estendidos pelas ruas
havia tanta coisa no outono havia o cristovam pavia
Era a primavera o rio rápido subia
os barcos navegavam entre a vinha
e alastrava a sombra e a tarde adensava-se
num espesso e branco nevoeiro de algodão
noite dos candeeiros sombras nas paredes
e minha mãe pegava na espingarda ia à janela
e ouvia-se o chumbo no telhado lá ao longe
O leovigildo o marcolino o sítio do miguel
a sesta a monda das mulheres
a queda do bizarro exposto na igreja
isso e o almoço a saber mal
quando vinham da escola para saber significados
Eram as despedidas de coelhos e galinhas antes das viagens
Eram as festas era o roubo dos melões
era a menstruação oculta da criada
Era talvez em tempo de tormenta
havia ferros entre a palha por baixo da galinha
que chocava os ovos dentro de um velho cesto
eram as nossas casas em adobe
e era o carnaval os bailes os cortejos
Íamos para a praia e eu lia camilo
ouvia o mar bater sem conseguir compreender
como podia estar ali se tinha estado noutro sítio
Era o tempo dos primeiros amores
eu via o pavão adoecia e só muito mais tarde lia
o trecho que me competia entre as amadas raparigas
A casa não ficava muito longe dos montes
não havia a cidade nem os outros
punham ainda em causa o meu reino de deus
senhor de tudo o que depois não tive
Era depois da morte ou era antes da morte?
Mas haveria morte verdadeiramente?
Lia o paulo e virgínia chorava e perguntava
se tudo aquilo tinha acontecido
Era o meu pai era esse sonhador incorrigível
sem nunca mais saber que havia de fazer dos dias
Eram as folhas novas eram os perdigotos
saídos não há muito ainda da casca
Era era tanta coisa
Seria realmente após a morte herberto helder

[páginas 74 a 76]
Ruy Belo, Antologia Poética. CIDADÃO DE LONGE E DE NINGUÉM, prefácio e selecção de poemas de Maria Jorge Vilar de Figueiredo, fotografia da sobrecapa de Duarte Belo, Círculo de Leitores, Lisboa, 1999. /// Cartonado com sobrecapa, 238 páginas, 15 x 22 cm. /// Preço: 12 euros (vendido).
(duas adendas à lista anterior)
Segunda-feira, Junho 8, 2009
Mais duas contribuições para a história da indústria portuguesa (vide post anterior):
OPERÁRIOS DE LISBOA na Vida e no Teatro (1845-1870), de Fernando António Almeida, Caminho, Lisboa, 1994. /// 423 páginas, ilustrado, 14,5 x 21 cm. /// Preço: 10 euros.
A FORMAÇÃO DA CLASSE OPERÁRIA PORTUGUESA. Antologia da Imprensa Operária (1850-1934), de Maria Filomena Mónica, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1982. /// 548 páginas, ilustrado, 15,5 x 22,5 cm. /// Preço: 10 euros.



