A quadra popular no azulejo
[14Mai12]


A QUADRA POPULAR NO AZULEJO
JAIME JORGE UMBELINO
Compilação de cerca de uma centena de quadras de azulejos diferentes. Autografado pelo autor na página de rosto. 136 páginas. 15 x 21 cm. Torres Vedras: edição do autor, 1992
Preço: 12 euros.
Jogos Populares Portugueses
[03Mai12]
JOGOS TRADICIONAIS PORTUGUESES
Caixa de madeira (31 x 21,5 x 13 cm) de fabrico artesanal, com fecho, contendo os diferentes objectos e peças — lenço, bola, cordas, pião e baraça, malhas, mecos ou bilros, patelas de metal, caixa de jogos, espátula, rolha, moedas e botões — necessários a vários jogos tradicionais portugueses: péla, péla à parede, mata, pelota, jogos de corda, tracção com corda em anel, tracção com corda em linha, tracção com corda e corrida, cabra cega, lencinho, barra do lenço, bilros, jogos da bola, malha, jogos do pião, raiola, cavaquinha, bicho e pique-pique. No interior da tampa, um papel indica os materiais e os jogos. Vide fotografia. Sem indicação do fabricante, nem data de fabrico.
Preço: 50 euros.

A APRENDIZAGEM PARA ALÉM DA ESCOLA
O JOGO INFANTIL
NUMA ALDEIA PORTUGUESA
RAUL ITURRA
FILIPE REIS
Ilustrado. Arranjo gráfico de Sérgio Gamelas. Fotografias de Filipe Reis e Nuno Porto. Com explicação de alguns jogos (agachada, berlinde, casinhas, ilhas, macaca, pião, toca e ferro, e outros), e análise antropológica do contexto e processos de aprendizagem social. 31 páginas. 15 x 21 cm. Guarda: Associação de Jogos Tradicionais, 1990. Por ocasião da 4.ª Festa Internacional dos Jogos.
Preço: 10 euros.

A RODA DAS ESTAÇÕES
(COSTUMES DOS MENINOS DA ALDEIA DA SARZEDA)
ALBERTO CORREIA
Histórias, lenga-lengas, e o rodar dos costumes da aldeia e das crianças ao longo das estações. Prefácio de Matilde Rosa Araújo. Ilustrações de Clara Portas. 37 páginas. 15 x 20,5 cm. Edição do autor (1.º Prémio do II Concurso Literário da Casa da Cultura da Juventude de Viseu, na modalidade “Trabalhos de pesquisa – levantamento de usos e costumes regionais”, 1979).
Preço: 10 euros.

FESTA EM SETEMBRO
JOGOS POPULARES EM SABROSA
PEDRO E ISABEL
ANTÓNIO CABRAL
Contos. No segundo, «Jogos Populares em Sabrosa», explica-se o jogo do farelo. Capa com desenho de Gracinda Marques. 24 páginas. 17 x 24 cm. Colecção Adufa, volume 3. Edição da Comissão Regional de Turismo da Serra do Marão, Vila Real, 1983.
Preço: 10 euros.
Cancioneirinho de Foz Côa (1926)
[20Abr12]
CANCIONEIRINHO DE FOZCOA
CONTRIBUIÇÃO PARA A HISTÓRIA E CRÍTICA
DA MÚSICA DO POVO PORTUGUÊS
EDMUNDO ARMÉNIO CORREIA LOPES
Ilustrado com pautas musicais. Com um apêndice de canções e notas. xvii-(3)-239 páginas. 17 x 23 cm. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1926. Capa e lombada com pequenas falhas de papel, e miolo em óptimo estado de conservação, embora com duas manchas amareladas junto à orla lateral exterior, nas últimas 50 páginas, bastante longe do texto. Exemplar interessante.
Preço: 35 euros.
A Abissínia em 1923
[16Abr12]
UNCONQUERED ABYSSINIA
AS IT IS TODAY
CHARLES F. REY
An account of a little known country, its peoples & their customs, considered from the social, economic & geographic points of view, its ressources & possibilities, & its extraordinary history as a hitherto unconquered nation.
Ilustrado com fotografias e um mapa desdobrável (50 x 37 cm). 312-(7) páginas. 15 x 22 cm. Encadernação editorial em bom estado, sem sobrecapa. Com ligeiro foxing junto às margens, e carimbos do Ministério das Colónias Português. No geral, um bom exemplar. London: Seeley, Service & Co., 1923.
Preço: 25 euros.

Lendas Portuguesas
[12Mar12]
Psicologia da Inveja
[29Dez11]

PSICOLOGIA DA INVEJA
MÁRIO GONÇALVES VIANA
Com capítulos sobre: — a palavra «inveja» — a inveja na Bíblia — a inveja no rifoneiro e no adagiário [nunca o tojo produziu uvas] — a inveja na lenda e na tradição — a inveja no fabulário — a inveja na mitologia — a inveja na simbologia e na alegoria — a inveja na linguagem — a inveja na literatura portuguesa — a inveja na história universal — a inveja em Portugal — a inveja e o sexo — a inveja e a idade — a inveja na infância — a inveja no seio da família — a inveja no seio da política — a inveja nos pequenos burgos — a inveja nas grandes cidades — a inveja entre os amigos — a inveja nos agrupamentos humanos — a inveja entre os industriais e os comerciantes — a inveja entre o funcionalismo público — a inveja entre os advogados e juristas — a inveja entre os médicos — a inveja entre os professores — a inveja entre os artistas — a inveja entre os homens de letras — a inveja entre as forças armadas — a inveja entre os sábios e os heróis — a inveja entre os povos — génese da inveja — análise da inveja — tipologia da inveja, e — profilaxia da inveja.
Na Colecção Biblioteca de Cultura Portuguesa (este o n.º 12), preenchida com obras do autor na área da Psicologia, nomeadamente: da Amizade, do Amor, do Dinheiro, do Medo, da Criança, do Adolescente, dos Grupos, das Multidões Infantis e Adultas, das Massas Multitudinárias, do Homem, e da Mulher.
Capa de A. Pinto. 486 páginas. 14,5 x 20,5 cm. Porto: Editorial Domingos Barreira, [s.d.].
Excelente exemplar.
Preço: 15 euros.
Os Açores (1580-1980)
[29Dez11]

UM MANUSCRITO DA BIBLIOTECA NACIONAL DE MADRID INTERESSANTE À HISTÓRIA DOS AÇORES
NO SÉCULO XVII
FRANCISCO MENDES DA LUZ
Separata do volume VI do Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, assinada pelo autor com dedicatória ao embaixador Luiz Norton, datada de Madrid, 1949. Com 7 páginas e 16,5 x 22 cm. Angra do Heroísmo: Tipografia Andrade, 1948.
Preço: 15 euros.


OS AÇORES E O GOVERNO
DO REI D. ANTÓNIO, PRIOR DO CRATO
1580-1583
A. VIRGÍNIO BAPTISTA
194 páginas. 15 x 22 cm. Br. Ilustrado com diversas estampas extra-texto. Barcelos: Portucalense Editora, MCMXXXII [1932].
Óptimo exemplar. Assinado pelo autor, que foi secretário de Finanças, com dedicatória a um inspector de Finanças, datada de 1959. Inclui o seguinte folheto, igualmente assinado pelo autor para o mesmo inspector, e algumas correcções manuscritas no texto:
Guimarães e Portugal. No 8.º Centenário da Fundação da Nacionalidade, por A. Virgínio Baptista. /// 15 páginas. 11 x 15 cm. Edição do autor. 1940.
Preço do conjunto: 30 euros.


A ILHA DE SÃO MIGUEL
Estudo Geográfico
RAQUEL SOEIRO DE BRITO
Estudo de referência da ilha de São Miguel nos Açores, realizado no início da carreira da geógrafa e historiadora Raquel Soeiro de Brito (n. 1925), por inspiração do seu mestre Orlando Ribeiro:
A ideia de estudar uma ilha do arquipélago dos Açores nasceu do interesse com que auxiliei a preparação da monografia do Professor Orlando Ribeiro sobre a Ilha da Madeira. [...] Escolheu-se a ilha de São Miguel por ser a mais importante do arquipélago. Aí fiz duas campanhas de três meses cada uma, durante as quais percorri toda a ilha, convivendo directamente com a população e procurando compreender os seus problemas. [do Prefácio].
Os capítulos versam o relevo, o clima e a vegetação, a história da ocupação da terra, agricultura, pecuária, pescas, indústrias, população, povoamento e circulação.
214 páginas. Ilustrado com desenhos, fotografias, plantas e 3 mapas desdobráveis em separado. Bom estado. Com alguns pequenos carimbos de biblioteca. 17 x 25 cm. Lisboa: Publicações da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 1955.
Preço: 30 euros.
SUBSÍDIOS PARA O
INVENTÁRIO ARTÍSTICO DOS AÇORES
FRANCISCO ERNESTO DE OLIVEIRA MARTINS
Exemplar autografado pelo autor com dedicatória acompanhada de um postal-convite para o casamento de um familiar, ilustrado com um par de bonecos de trapos noivos, da sua colecção pessoal.
Igreja a igreja, casa a casa… Primeiro tentame sistemático de um inventário histórico-global da arte e do artesanato no arquipélago: mobiliário, pintura, escultura, arquitectura religiosa, civil e militar, faiança, porcelana, marfim, colchas e bordados, etc. Catálogo em papel couché, ilustrado com centenas de fotografias da autoria de Francisco Reis Maduro Dias, Guillon, João Soares de Ávila, José Leite, Mário Corvelo de Freitas, Norberto Ávila, Veríssimo Salvador, Foto Iris e Foto Nóbrega. 449 páginas. 21 x 29,5 cm. Uma edição da Secretaria Regional de Educação e Cultura / Direcção Regional dos Assuntos Culturais, impressa em Angra do Heroísmo, 1981 (capa com a data de 1980, colofón com a data de impressão de 31 de Março de 1981).
Preço: 65 euros.
História do Circo em Portugal
[12Dez11]
HISTÓRIA DO CIRCO
LUCIANO REIS
A história do circo em Portugal, com muitas referências aos grandes palhaços de antigamente, a companhias já extintas, às famílias Cardinalli e Chen, etc., etc. Termina com um glossário de termos circenses.
1.ª Edição. Teatrinho de Santarém, 2001. 252 páginas. 16,5 x 24 cm. Óptimo exemplar, como novo. Muito ilustrado. Bom papel.
Preço: 12 euros (reservado).


Aspectos e Impressões da Índia
[15Out11]

PELA ÍNDIA
ASPECTOS E IMPRESSÕES
ADRIANO DE SÁ
Destacado para a Índia no final do século XIX, o tenente-coronel Adriano Abílio de Sá (1860-1952) foi responsável, em Goa, pela fiscalização dos Caminhos de Ferro de Mormugão, ou pelo reconhecimento hidrográfico da barra de Betul e foz do rio Sal. Entretanto, foi viajando pela Índia, à custa da sua «magra bolsa de funcionário público português», e publicou alguns artigos sobre o assunto em jornais e revistas, entre 1898 e 1917, que viriam a formar parte desta obra de «literatura de viagens» portuguesa.
Prefácio de Manuel Ramos. Ilustrada com dezenas de fotografias (extra-texto), de monumentos, paisagens e pessoas. Encadernado com capas de brochura, embora cansadas e modestamente espelhadas. Miolo intonso, mas com duas imperfeições: assinatura rasurada no rosto e corte das folhas com um canto escurecido. 341 páginas. 15 x 23 cm. Lisboa: J. Rodrigues, 1925.
Preço: 25 euros.

O CONCELHO DE PENAMACÔR
na História, na Tradição e na Lenda
JOSÉ MANUEL LANDEIRO
Com capítulos sobre o concelho e a vila, antigas paróquias e igrejas, procissões, roda e cemitérios, a guarnição militar, médicos e farmacêuticos, magistrados e empregados públicos, famílias nobres e homens ilustres, filhos adoptivos, a imprensa, associações, povoações e fortalezas antigas, freguesias e ermidas, terminando com algumas das mais emblemáticas lendas religiosas da região: as pragas de gafanhotos, a patinha da burrinha de Nossa Senhora, o milagre do cativo cristão, etc.
Prefácio de Jaime Lopes Dias. Desenhos de Júlio Fidalgo de Oliveira. xvi + 257 páginas. 17 x 24,5 cm. Ilustrado (fotografia, desenho), no texto e extra-texto. Primeira edição (seria republicado em 1982, 1988 e 1995). Em bom estado, embora com algumas manchas leves na capa e margem interior das primeiras páginas. Vila Nova de Famalicão: Grandes Ateliers Gráficos Minerva, 1938.
Preço: 40 euros.
AMAZÓNIA
[30Ago11]

ASPECTO DEMOGRÁFICO-SOCIAL DA
AMAZÔNIA BRASILEIRA
Pe. JOSÉ DE SOUZA BETENCOURT
Prefácio de Artur Cezar Ferreira Reis. Com capítulos sobre as características demográficas da Amazónia — esboço histórico do povoamento, composição e distribuição da população, migrações — e os factores de influência na evolução demográfica-social — o clima, flora, meios de comunicação, actividade económica, cultura, religião —, entre outros. Ilustrado com diversas tabelas. Colecção Araújo Lima. 77 páginas. 16 x 22 cm. Rio de Janeiro: Representação da SPVEA, 1960.
Preço: 12 euros.

O RIO COMANDA A VIDA
UMA INTERPRETAÇÃO DA AMAZÔNIA
LEANDRO TOCANTINS
Prefácio de VITORINO NEMÉSIO. Prefácio de GILBERTO FREYRE à edição brasileira. Primeira edição em Portugal. Quarta edição em língua portuguesa. Capa de Tadeu Nobre Rodrigues. Com um texto de J. Guilherme de Aragão sobre o autor. 355 páginas. 14 x 20,5 cm. Excelente estado de conservação. Lisboa: Centro do Livro Brasileiro, 1972.
Considerado um dos livros mais importantes já escritos sobre a Amazónia, pela mão de um seu profundo conhecedor, à uma habitante e viajante do “grande pulmão” sul-americano. História, sociologia, folclore e literatura fluem ao longo dos 31 capítulos que compõem a obra, escrita por Leandro Tocantins aos 21 anos de idade, e acrescentada em edições posteriores, a partir de «impressões pessoais, pesquisas históricas e geopolíticas, trajetórias humanas, idéias e fatos, a que [procurou] dar forma e vibração, sem [se] afastar do real, da verdade, no intuito de fazer conhecida honestamente a Amazônia e chamar a atenção dos poderes governamentais para os problemas do vale e as necessidades de seu povo». Ler mais aqui, aqui e aqui.
Preço: 15 euros.

A AMAZÓNIA MISTERIOSA
GASTÃO CRULS
Romance. «Um sábio alemão semilouco fabrica monstros, ensaiando as suas experiências em seres humanos; uma francesa nostálgica deperece entre horrores; um arrojado explorador — o narrador da história — descobre os reinos de Liliput e de Brondingnag na selva tropical. Poderá chamar-se romance, com plena força, [a este livro]? Porque não, se nesta obra rica de escrupulosos ensinamentos sobre o passado histórico e sobre a geografia humana da bacia do Amazonas, a acção se encadeia sempre num ritmo de palpirante interesse?»[da badana].
Capa de Bernardo Marques. Com um elucidário vocabular nas 13 páginas finais. 250 páginas. 15 x 22 cm. Colecção Livros do Brasil. Lisboa: Livros do Brasil, [1960].
Preço: 10 euros.

XINGU
OS ÍNDIOS, SEUS MITOS
ORLANDO VILLAS BOAS
CLAUDIO VILLAS BOAS
Os irmãos Villas Boas viveram entre diversas tribos de índios do Alto Xingu desde o final dos anos 40, e foram dos primeiros ocidentais a estudar aqueles povos de uma forma próxima, científica e continuada, lutando aguerridamente pela sua defesa e compreensão, e conseguindo pugnar pela criação do Parque Nacional do Xingu, em 1960. Este parque, de aproximadamente 30 mil quilómetros quadrados, situa-se a norte do Estado do Mato Grosso, numa zona de transição florística entre o Planalto Central e a Amazónia. Nesta obra, os irmãos Villas Boas diferenciam as várias tribos do Xingu (entre hostis e arredias, massacradas, extintas e vitimadas por doenças) e a sua relação histórica com o homem branco, e debruçam-se sobre os seus mitos (dos Kuikúru e Juruna, mas principalmente dos Kamaiurá) que ocupam cerca de três quartos da obra.
Ilustrações de Poty. 206 páginas. 14 x 21 cm. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1970.
Preço: 12 euros.
Ernesto Veiga de Oliveira
[14Mai11]

Ernesto Veiga de Oliveira (1910-1990), pioneiro da moderna antropologia portuguesa, foi director do Museu de Etnologia desde a sua criação, em 1965. Um pouco antes, no final da década de 50, com Fernando Galhano, Jorge Dias e outros, dedicou-se ao estudo das tecnologias tradicionais portuguesas, como os arados, os espigueiros, os moinhos-de-vento, as azenhas, as atafonas ou os pisões.
Em 1960 foi encarregado pela Gulbenkian de proceder à recolha dos instrumentos musicais populares portugueses, de modo tão completo quanto possível:
Para o trabalho que empreendemos calcorreámos vezes sem conta o País de norte a sul e de leste a oeste, acorrendo às suas festas, contactando cada vez mais intimamente com todo esse universo através da sua gente: mas esse trabalho, e mais concisamente a recolha dos instrumentos, feitos verdadeiramente no limiar das últimas possibilidades, foi por isso, às vezes, muito árduo. Grande número de espécies, e algumas de entre as mais importantes, pertenciam já então ao mundo dos «tempos perdidos», das coisas que só existem esquecidas em velhas arcas, desligadas da vida, ou até mesmo unicamente na memória incerta de pessoas de outra idade.
Este trabalho, realizado entre 1960 e 1963, serviu de base ao livro Instrumentos Musicais Populares Portugueses, Gulbenkian, 1966. Uma boa parte das gravações então efectuadas estão gratuitamente disponibilizadas pela Universidade do Minho, graças a Domingos Morais:
ARQUIVO SONORO ERNESTO VEIGA DE OLIVEIRA
(Vide introdução aqui.)

O português é menos exuberante, ruidoso e expansivo que os outros meridionais. Um só espanhol, numa carruagem de comboio, abafa com a sua voz a de todos os portugueses. Além disso, o Português é inibido por um forte sentimento do ridículo. Como é muito sensível e dotado da faculdade de se aperceber do que vai nos outros, receia ser vítima da ironia e da crítica trocista, tão comum em Portugal. De facto, a ironia, muito mais do que o humor, tem fundas raízes na cultura portuguesa; desde as cantigas de escárnio e maldizer da Idade Média até à ironia de Eça de Queirós há toda uma gama de coloridos. Temos a ironia benévola de Gil Vicente, a mordente de Nicolau Tolentino e de Bocage e a ironia pungente ou sarcástica de Fialho e de Camilo. Mas o próprio povo, com as suas certeiras alcunhas e apelidos, ou com os apodos tópicos, ou com os cantares ao desafio, etc., mostra a terrível arma de que é dotado. Por isso, a sensibilidade, que é um dos grandes elementos positivos da mentalidade portuguesa, é também um dos grandes elementos da sua fraqueza. O sentimento do ridículo e o medo da opinião alheia abafam nele muitos impulsos generosos, deformam a sua naturalidade e impedem-no de se entregar livremente aos prazeres simples e à alegria espontânea. Nas classes populares tal sentimento é moderado, mas nas outras classes é tão saliente que se tornam com frequência ridículos pelo medo de o parecer. Tal sentimento complica-se pela consciência das glórias passadas, pelo desprezo paradoxal pelos valores burgueses e pela admiração pelas realizações alheias. O português, muito intimamente, é incapaz de ambicionar para a sua pátria o bem-estar e a prosperidade que, por exemplo, o Suíço conseguiu pelo esforço pertinaz e constante. É certo que o Português se envergonha perante um suíço, pelo elevado nível de vida que aquele soube conquistar, mas se fosse ele o suíço, envergonhar-se-ia da mesma maneira, por ter conseguido um bem-estar sem glória.
É um povo paradoxal e difícil de governar. Os seus defeitos podem ser as suas virtudes e as suas virtudes os seus defeitos, conforme a égide do momento.

OS ELEMENTOS FUNDAMENTAIS DA CULTURA PORTUGUESA
JORGE DIAS
1.ª edição, cinco anos após a apresentação no I Colóquio Internacional de Estudos Luso-Brasileiros, realizado em Washington em 1950. Tal como indicado na primeira nota de rodapé, o texto «fazia parte das três teses principais da Secção de Antropologia Cultural, cujos temas foram designados aos seus autores pelos organizadores do Colóquio». Exemplar autografado por Margot Dias, etnomusicóloga de origem alemã, casada com o autor. Juntos realizariam, no final da década de 50, um estudo importantíssimo sobre os Macondes de Moçambique.
Separata da Revista de Direito e de Estudos Sociais, ano VIII, n.º 2, Coimbra: Tipografia da Atlântida, 1955. /// 30 páginas. 17,5 x 24,5 cm.
Preço: 15 euros.
Ligações de interesse:
- Transcrição integral do texto de Jorge Dias
- Maria Assunção Gato, sobre «Os Elementos Fundamentais da Cultura Portuguesa»
- «A Identidade da Nação: Encenação e Narrativa», por Luís Cunha
- Alguns sons macondes (instrumentos, contos, canto), gravados por Margot Dias e Jorge Dias em Moçambique (1957-1959)

















































































