FANTASIA LISBOETA


CARLOS PINHÃO
DUARTE SARAIVA


Versos de Carlos Pinhão, sobre Lisboa: Beato, Xabregas, Graça, Alfama, Castelo, Limoeiro, São Vicente, Feira da Ladra, Santa Apolónia, Chelas, Alto de S. João, Marvila, Poço do Bispo, Bairro Chinês, Braço de Prata, Olivais, Cabo Ruivo, Aeroporto, Areeiro, Alvalade, Roma, Chile, Anjos, Intendente, Socorro, Mouraria, Betesga, Baixa, Terreiro do Paço, Cacilhas, Rossio, Restauradores, Glória, S. Pedro de Alcântara, Bairro Alto, Trindade, Carmo, Camões, Chiado, Santa Justa, Lavra, Santa Catarina, Cais do Sodré, São Bento, Campo de Ourique, Campolide, Avenida, Parque Mayer, Rotunda, Picoas, Campo Pequeno, Lumiar, Palhavã, Sete Rios, Benfica, Restelo, Bairro da Lata, Dafundo, Algés, Belém, Ajuda, Madragoa, Estrela, Santos, Santo Amaro e Alcântara.

Ilustrações de Duarte Saraiva. Prefácio de Mário Castrim. 77 páginas. 14,5 x 20,5 cm. Invulgar. Lisboa: Na Orion, [s.d.].

Preço: 15 euros.




O MEU BARBEIRO


CARLOS PINHÃO


Diálogos de barbearia. Autografado pelo autor com dedicatória de amizade ao jornalista e cineasta Baptista-Rosa. Capa e desenhos de João Martins. 126 páginas. 15 x 21 cm. Lisboa: Editorial Polis, 1968.

Preço: 20 euros.




FABULAS DE PHEDRO

ESCRAVO FORRO DE AUGUSTO CESAR

Traduzidas em verso dramatico; augmentadas com cinco Fabulas que não vem em outras muitas Edições; e ilustradas com varias Notas.

Offerecidas ao Serenissimo Senhor D. Joseph, Principe do Brasil, por

MANUEL DE MORAES SOARES.


Segunda edição (primeira data de 1785), mais correcta. Tradução, prefácio e abundantes notas de Manuel de Moraes Soares. Lisboa: na Nova Of. de João Rodrigues Neves, 1805.

Texto bilingue, em latim e português. (vii)-x-372 páginas. 11,5 x 17,5 cm. Inclui 101 fábulas e cinco prólogos, correspondentes a cada um dos cinco livros que compõem a obra.

Exemplar em mau estado: encadernação inteira de pele mosqueada com rótulo, cansada e com marcas de bicho na lombada (mas não no miolo). Com uma nota manuscrita no verso da folha de guarda, que emparelha com o rosto: «Comprei este livro, em Lisboa, Travessa de S. Nicoláu (esquina Rua Crucifixo) — pela quantia de reis 200, em casa do Snr. Rodrigues alfarrabista — 26 = Setembro = 98», assinada Padre Gusmão, provavelmente em 1898, referência que corresponde ao carimbo da livraria no interior da pasta frontal.
Muitas páginas com marcas de água, principalmente nas orlas, algumas com pequenas faltas de papel (páginas 11, 50, 166 e, a mais evidente, o rosto, visível numa das fotografias), outras escurecidas. Volume termina na página 372, a meio da penúltima fábula, faltando a última fábula («O Leão, e o rato»), indicada no índice para a página 374.
Texto e notas perfeitamente legíveis. Gravuras muito curiosas, num total de 103, não assinadas, com cerca de 5 x 6,5 cm cada uma.
Peça de estudo e consulta, não de colecção.

Preço: 15 euros.





HISTÓRIAS À MARGEM DE UM SÉCULO DE HISTÓRIA


F. KEIL DO AMARAL


Livro de “memórias da família” do arquitecto Francisco Keil do Amaral (1910-1975), publicado na Biblioteca de Estudos sobre a Sociedade e a Cultura Portuguesas, secção I, n.º 6, da editora Seara Nova, Lisboa, 1970. Capa de Guilherme Lopes Alves. 1.ª edição. Exemplar autografado pelo autor com dedicatória. 242 páginas. 14 x 22 cm. Capa com ligeiras marcas do tempo. Miolo impecável.

Preço: 20 euros (reservado).



HISTÓRIAS DE CORDEL
E UMA ADVERTÊNCIA


SANTANA QUINTINHA


Histórias de bairro, faca e alguidar, onde figuram o Carlinhos dos Funerais, o Penteadinho, o Cospe Fino, o Papo-Seco, a Carlota da Facada, ou o Mão-de-Ferro, «indivíduo de olhar torvo e maus instintos, uma espécie de assassino na disponibilidade».

Capa de Bernardo Marques. 203 páginas (maioria por abrir). 12,5 x 19 cm. Assinatura de posse no ante-rosto. Bom exemplar. Lisboa: Portugália Editora, [1950?].

Preço: 15 euros.



VINTE E NOVE JANELAS DE

MALUDA


Caixa de cartão e tela (27,5 x 33,5 cm) contendo 29 litografias, e uma brochura de 8 páginas assinada e numerada por Maluda (este o conjunto n.º 2576), com um  texto de José-Augusto França, apontamento biográfico de Maria João Seixas, cronologia e relação das ilustrações. Litografias realizadas por Francisco de Almeida Dias. Bom estado geral; caixa com pequenas imperfeições, visíveis na fotografia. Lisboa: Edições António Homem Cardoso, 1987.

Preço: 140 euros.



NATAL

UM CONTO E VINTE E UM POEMAS


MIGUEL TORGA


Conto e poemas lidos por Miguel Torga, acompanhado com música de PEDRO CALDEIRA CABRAL.

O conto «Natal» foi extraído de Novos Contos da Montanha, os poemas figuram nos vários volumes dos diários do autor: «Pietá» (Diário I, 1939), «Natal» (Diário II, 1942), «Natal» (Diário IV, 1948), «Natal» (Diário V, 1950), «Natal» (Diário VI, 1952), «Retábulo» e «Visita» (Diário VII, 1954), «Natividade» (Diário VIII, 1958), «Lição» e «Natal» (Diário IX, 1961), «Natal» (Diário X, 1966), «Loa» (Diário XI, 1969), «Natal» (Diário XI, 1970), «Natal» (Diário XI, 1972), «Natal» (Diário XII, 1973), «Natal» (Diário XII, 1974), «Natal» (Diário XII, 1975), «Natividade» (Diário XIII, 1979), «Natal» (Diário XIV, 1982), «Natal» (Diário XIV, 1983) e «Natal» (Diário XIV, 1985).

Disco de Vinil (LP), gravado e produzido por Pedro Vasconcelos, numa iniciativa de Fausto Correia, secundado por José Manuel Nunes. Capa de Fátima Rolo, a partir de desenho de Henrique Medina. Uma edição EMI – Valentim de Carvalho, 1986. Em excelente estado de conservação.

Raro.

Preço: 45 euros.



IMPROVISO


NATÁLIA CORREIA
ANTÓNIO VITORINO D’ALMEIDA


Poemas de Natália Correia, e outros (João Zorro e Rui Pais de Ribela), ditos pela própria, acompanhada pela música do maestro António Vitorino d’Almeida. Disco de Vinil (LP), numa edição Guilda da Música (DP 022), em 1973. Na ficha técnica da contracapa, referência a texto (?) de Alexandre O’Neill. Capa de Soares Rocha. Gravado nos estúdios da Valentim de Carvalho, com o engenheiro de som Hugo Ribeiro. Bom estado de conservação.

Invulgar.

Preço: 30 euros.



ENTREVISTA


JOSÉ GOMES FERREIRA


O nosso entrevistado foi, durante anos, voluntariamente marginal, um estrangeiro, um fantástico resistente aos prelos, às máquinas de fazer livros e fama. Entretanto, escreveu sempre, mais ou menos para a gaveta, e com aguda consciência do seu ofício de escritor: estudos, aforismos, romances, páginas de diário, e versos, sobretudo versos. Num instante, a cidade descobre-lhe o hábito nocturno e aclama-o, à luz, como um dos seus vates predilectos.

Disco de Vinil (LP), numa edição Sassetti / Guilda da Música (DP o11), de 1973. Entrevista conduzida por Rui de Brito e Carmen Santos. Direcção Literário de Alberto Ferreira. Montagem e encenação sonora de Moreno Pinto, e assistência de Carmen Santos, para uma produção realizada nos estúdios Poly-Som. Gravação realizada na casa de José Gomes Ferreira.

Disco em estado razoável (capa cansada e vinil com imperfeições).

Preço: 12 euros.



PORTUGUÊS SUAVE


JOAQUIM PESSOA


Poemas e Voz de Joaquim Pessoa. Música elaborada e interpretada por Pedro Osório. Capa e orientação gráfica de António Pimentel. Fotografia de Luís de Matos. Som de José Manuel Fortes, gravado nos estúdios da Rádio Triunfo.

Disco de Vinil (LP), numa edição da Rossil (ROSLP-12005), de 1980. Em estado razoável (capa cansada e vinil com imperfeições).

Preço: 12 euros.



A MÃE DE QUALQUER DE NÓS


JOAQUIM MOREIRA


Poemas de José Simões Dias («O Melhor Álbum»), Almada Negreiros («Mãe»), Maria Teresa Horta («Enquanto Adormece o Filho»), José Gomes Ferreira («Poema»), Sebastião da Gama («Pequeno Poema») e António Gedeão («Calçada de Carriche»), ditos por Joaquim Moreira, acompanhado ao orgão por Eugénio Pepe. Capa de Artur Fino. Som registado na Musicorde. Uma edição RR Discos (RREP 0080), [s.d.]. Em bom estado.

Preço: 10 euros.



THE JUPITER ANTHOLOGY OF
20th CENTURY ENGLISH POETRY


Poemas de Thomas Hardy, Robert Bridges, A.E. Housman, W.B. Yeats, Rudyard Kipling, W.H. Davies, Walter de la Mare, John Masefield, Edward Thomas, D.H. Lawrence, James Elroy Flecker, Andrew Young, Siegfried Sassoon, Edwin Muir e Edith Sitwell, lidos por Jill Balcon, V.C. Clinton-Baddeley, John Glen, C. Day Lewis, Christopher Hassall, Carleton Hobbs, Stephen Murray e Edith Sitwell (lendo a sua própria poesia). Disco de Vinil (LP), editado pela Jupiter Recordings (JUR 00A1), em 1958. Capa de Osbert Lancaster. Em estado razoável (capa cansada, interior com pequenas imperfeições).

Preço: 10 euros.



BANANA BLUSH


JOHN BETJEMAN


Leitura de poemas pelo próprio autor, acompanhado pela música de Jim Parker. Gravado nos estúdios Morgan, por Roger Quested (engenheiro), Hugh Murphy e Tom Parker (produção), com os seguintes músicos: Clem Cattini (bateria), Arthur Watts (baixo), Frank Ricotti e Jim Lawless (percussão), Rod King (guitarra), Vic Flick (banjo), Susan Baker (viola), Keith Harvey (violoncelo), The London Saxophone Quartet, e Ian Partridge (tenor). Fotografia da capa de John Garrett. Capa de Hipgnosis. Edição Phonogram (CAS 1086 Stereo), 1974.

Em muito bom estado de conservação, tanto o vinil como a capa.

Preço: 15 euros.



ABASTECIMENTO DE PRODUTOS HORTÍCOLAS A LISBOA


M. LOURDES SANTOS PEREIRA


Inclui curiosos mapas desdobráveis com uma relação parcial das hortas existentes na zona de Lisboa, visíveis numa das fotografias, e capítulos sobre os meios de transporte usados (carroça, galera e camioneta), as épocas características de cada região ou as zonas abastecedoras, de Aveiro, Oeste, Saloia, Outra Banda, Setúbal, Vila Franca, Santarém e Algarve.

Com dedicatória autógrafa da autora, engenheira agrónoma, ao então presidente da Junta Nacional de Frutas, Mário Brito Soares. Capa e desenhos de Mário Marcelo Nogueira. Prefácio de Henrique de Barros. Com xvi+212 páginas, e 16,5 x 22,5 cm. Excelente estado de conservação. Lisboa: Junta Nacional das Frutas, 1949.

Preço: 20 euros.



DAISY

UM FILME PARA FERNANDO PESSOA


JOSÉ SASPORTES


Imagens de JORGE MARTINS, hoje pertencentes ao acervo da Casa Fernando Pessoa. Storyboard que deu origem a um filme homónimo, de Margarida Gil, em 1991. Com 78 páginas e 22 x 22 cm. Arranjo gráfico de Avenida Designers. Sobrecapa original de plástico transparente em bom estado. Lisboa: Edições Salamandra, 1986.

Preço: 20 euros.


ANGEL CRESPO

[31Ago11]

 


DONDE NO CORRE EL AIRE

(1974-1979)

ANGEL CRESPO


Obra rara, numa tiragem de apenas 500 exemplares (este o número 85), editada pelo Grupo Poético Barro, na colecção Vasija, série Poesia (n.º 15), dirigida por Onofre Rojano.

Com uma fotografia do autor por Henry Nieves. 75 páginas. 15 x 21,5 cm. Em óptimo estado de conservação, apenas ligeiramente descolorado na lombada.

Preço: 70 euros.



COLECCIÓN DE CLIMAS

(1975-1978)

ANGEL CRESPO


Assinado pelo autor com dedicatória, e emendado na página 19. Em óptimo estado de conservação. 63 páginas. 12,5 x 20 cm. Volume 42 da colecção Aldebaran, dirigida por Jose Luis Nuñez. Sevilla: Aldebaran, 1978.

Preço: 40 euros.



EN MEDIO DEL CAMINO

( Poesía, 1949 – 1970 )


ÁNGEL CRESPO


Antologia. Colecção Poesía, Seix Barral, Barcelona, 1971. Volume brochado, com sobrecapa. 290 páginas. 12,5 x 19,5 cm. Estimado. Autografado pelo autor com dedicatória datada de 1981.

Preço: 35 euros.



EL AIRE DE LOS DIOSES

(1978-1981)

ÁNGEL CRESPO


Com diseño gráfico de Julio Álvarez, e uma foto do autor por Inácio Ludgero. 100 páginas. 14 x 20 cm. Óptimo estado de conservação: mantém-se intacta a sobrecapa plástica. Zaragoza: Olifante Ediciones de Poesía, [30 de Abril de] 1982.

Preço: 25 euros.



ANTOLOGÍA POÉTICA


ANTÓNIO OSÓRIO


Tradução, selecção e introdução de ÁNGEL CRESPO. Exemplar autografado por António Osório com dedicatória. Com diseño gráfico de Julio Álvarez, e uma foto de António Osório por Gonçalo Ivo. 111 páginas. 14 x 20 cm. Óptimo estado de conservação: mantém-se intacta a sobrecapa plástica. Zaragoza: Olifante Ediciones de Poesía, [25 de Setembro de] 1986.

Preço: 30 euros.



TRÊS AUTORES TRÊS CONTOS


ANGEL CRESPO
JOÃO VICENTE DE OLIVEIRA CHARRUA
OCTÁVIO RODRIGUES DE CAMPOS


Contos da autoria de Angel Crespo («Ratazanas»), João Vicente de Oliveira Charrua («Excitação») e Octávio Rodrigues de Campos («Baile de Máscaras»). Com uma biografia de cada um dos autores. 54 páginas. 11,5 x 16,5 cm. Rara edição do Círculo de Letras e Artes de Lisboa, em 1956.

Um dos dois exemplares endereçados ao fundador e director do jornal Litoral, David Cristo, escritor e jornalista natural de Aveiro. Inclui uma dedicatória manuscrita, no rosto da obra, em nome do Círculo, e uma carta assinada pelo director do mesmo, datada de 27 de Agosto de 1956, requisitando a menção bibliográfica à edição no dito jornal, bem como uma permuta entre as edições futuras de ambos. Muito invulgar, nestas condições, embora a lombada não se encontre no melhor dos estados, tendo sido “remendada” com fita-cola.

Duas outras curiosidades: no cólofon, última página, a menção de que o livro se acabou de imprimir a 1 de Agosto de 1956, na Tipografia Ala Esquerda, de Beja, com o patrocínio do jornal Ribamar, de Algés, dirigido e editado por um dos autores destes contos (João Vicente de Oliveira Charrua, natural de Borba), e com secretariado de redacção de outro (Octávio Rodrigues de Campos, natural de Beira, Moçambique); e ainda, na contracapa, uma inovadora forma de fazer publicidade, visível numa das fotografias: como no conto «Excitação» há paisagem deslumbrante e velocidade perturbadora, publicita-se uma oficina de Évora onde teria sido feita a revisão do carro moderno que permitiu tal velocidade.

Preço: 20 euros.



LISBOA


ÁNGEL CRESPO


Ensaio histórico-literário. Primeira edição. 226-(6) páginas. 13 x 20 cm. Ilustrações de Alexandre Ferrer. Colecção Las Ciudades, n.º 4, das Ediciones Destino, Barcelona, 1987.

Preço: 15 euros.



EFFEITOS DO TABACO SOBRE A ALMA

ou sobre as manifestações transcendentes da vida.

SUA INFLUÊNCIA SOBRE A CRIMINALIDADE, O SUICÍDIO,
A MORTE SÚBITA, A LOUCURA. Esses grandes acidentes da nossa época.

«Excerpto da Physiologia Social pelo Dr. Depierris. Traducção de Alberto Telles [de Ultra Machado]». 32 páginas. Capa cansada, e com uma anotação a lápis: “União Feminina do Candal”. 15,5 x 23,5 cm. Lisboa: Typographia do DIARIO ILLUSTRADO, 1904.

Preço: 15 euros.


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«Livreiros d’antanho»? Mas se a Barateira ainda existe… Pois é, mas o gigante anda arredado da edição de pérolas como esta:

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COMO SE GANHA DINHEIRO CRIANDO ANIMAIS DOMÉSTICOS tais como galinhas, coelhos, pombos, patos, perús, porcos, etc., e contendo grande número de receitas para a cura de diversas doenças que atacam estas espécies, coordenação de Júlio Guimarães, 28 páginas, 13 x 19 cm, N.º 20 da Colecção Doméstica da Livraria Barateira, Lisboa, [sem data].  /// Preço: 5 euros.

«The settings are unashamedly middle-class: all the protagonists have cars, credit cards and maids. The maids, secretaries, receptionists, policemen and shop assistants provide background colour but are distinguished from the main characters by their incorrect speech or strong accents, their interior decorating, their clothes and their manners. The bad taste of the lower classes and the nouveaux-riches is described scornfully and gleefully by both characters and narrators: tracksuits, shoes with tassels, extreme mini-skirts, excess cleavage or man-made fabrics. The assumption of what is good taste and what is bad is never questioned. This clear-cut class divide is patronising and perpetuates stereotyped images of both the bourgeoisie and the working class. Relationships that cross class barriers are frowned upon and broken up by the heroines wherever possible.»

Uma análise muito british, por Claire Williams, da Universidade de Liverpool: Não há coincidências? Women’s Writing in Portugal in 1974 and 2004.

«Lesbians are even less visible in this kind of literature. Rebelo Pinto’s plain, overweight, bitter Maria do Carmo falls in love with her sister-in-law Kika, another “Ugly Duckling” (PCN, 80), and leaves her husband. Her behaviour is explained gradually, as details of her past are revealed: her father was a womaniser who beat her mother into submission and abused her sister. Ironically, Maria do Carmo is one of the few characters whose story ends happily. Lina is another lesbian, a peripheral character who is colourful and eccentric, but nobody’s fool. She is described affectionately (?) as “a chefe do bando das fufas de 1,47m, daquelas baixinhas poderosas que, quando levantam o sobrolho, são capazes de silenciar uma sala repleta de homens” (PCN, 209). These portrayals are extreme and cartoon-like, serving to reinforce stereotypical ideas about homosexuals, confirming preconceived ideas about their appearance, their taste and situating them firmly outside the mainstream – “they” are not “people like us”.»

Um artigo para o congresso da Universidade de Utrecht, THE VALUE OF LITERATURE IN AND AFTER THE SEVENTIES: THE CASE OF ITALY AND PORTUGAL, acontecido em 2004.

De uma occasião, cavaqueando o Innocencio e o Meréllo, na loja do livreiro Rodrigues, da rua do Crucifixo, farejaram um livro de valia; cuidando, qualquer dos dois, que, o outro, não houvesse dado por elle.

Principiaram então, como que ao desafio, em espertezas, procurando mutuamente afastar o competidor do logar da maravilha.

Já um chamava o outro para a porta, e lhe narrava não sei que historia em grandes ares de confidencia; — já o outro consultava o relogio e lhe dizia a hora, adiantando-a, ao passo que lhe perguntava qual fosse a sua hora de jantar… Nem o Meréllo nem o Innocencio arredavam um passo da baiuca do livreiro, recinto encantado da ambicionada joia.

N’isto, não se atrevendo um nem o outro a desampararem a caça, nem, tão pouco, a separarem-se, sairam juntos.

Innocencio, morava n’esse tempo, ao Rato, na rua de S. Filippe Nery; o Meréllo, como que deleitando-se com a sua conversação, foi indo até lá.

Uma vez chegados, disse-lhe o auctor do Diccionario Bibliographico:

— Você onde vae?

O Meréllo, titubiando, denunciou, porventura, na sua hesitação, o designio que guardava em seu animo? Chi lo sá?!

Respondeu conforme poude:

— Eu agora… estou capaz de ir… tenho por força de ir agora…

— Para cima?

— Não; ali, para aquele lado…

Innocencio fixava-o no branco dos olhos.

— A Santa Isabel!!! acrescentou Meréllo, que, com o ganhar tempo, cobrára animo, e revigorára o seu espirito. Vou a Santa Isabel, e, adeus, que não me posso demorar!!!

— Então, adeus! disse-lhe o Innocencio. E obrigado pela companhia.

Meréllo, em passinho de pulgam cortou para a direita, pelo largo do Rato fóra, e sumiu-se detraz da esquina.

Dois olhos, porém, o acompanhavam, vigiando-o, sem fallarmos nos da providencia, que, talvez, n’aquella hora, o não seguissem com tanto disvélo…

Eram os olhos do Innocencio, que, logo depois de fechar a porta da rua, de novo a abrira, de mansinho, encostando-a habilmente, de maneira que podesse vêr sem ser visto.

Espreitando o Meréllo no rapido ápice de dobrar a esquina, ahi foi logo, de corrida, de voada, o Innocencio, encostar-se, meio escondido, na diligencia de observar, se, effectivamente, o Meréllo seguia pela rua do Sól, a fim de cortar depois á esquerda para Santa Isabel.

Mas, — oh! confirmação de suspeita! — o Meréllo virou pela rua de S. Bento, e, d’este modo, revelou a engenhosa estrategia com que estivera a ponto de levar de vencida o seu competidor.

Innocencio Francisco da Silva não pensou uma, não pensou duas, nem tres vezes, e, voltando a metter-se na rua da Escóla Polytechnica, desceu pressuroso, aos encontrões a quem ia e vinha; elle, para o passeio; elle, para o meio da rua; zás, pás; de salto, pulo, e gangão; respirando apenas; apertando o figado, abalado pela furia da correria; até quem catrapuz, cahia de chofre na loja do livreiro, onde, em caso immediato, se embrulhava com um vulto, que, tambem de repellão e de tombo subito, penetrava ali…

Era o Meréllo!

O Meréllo, que, suspeitoso e inquieto pelas perguntas do Innocencio, correra ao livreiro, e alcançára, pela rua de S. Bento, Calhariz e Chiado, chegar ao Pote das Almas ao mesmo tempo que o seu rival illustre, por S. Pedro de Alcantara e S. Roque: em passo vertiginoso, de  bibliophilos, ambos elles; — o incomparavel passo, que fez sempre a inveja do Bargossi! o andarilho Bargossi!

Com razão se diz serem mudas as dôres supremas. No meio do reboliço que houve n’aquella loja, quando os dois alfarrabistas se atropellaram ao entrar ali, qual d’elles com maior ancia, foi o Meréllo o primeiro a conseguir deitar a mão ao livro. O Innocencio, que tinha uma tremenda lingua de palmo e meio, terror do proximo, metteu-a no bucho, e, engulindo em secco, viu o outro arrecadar o livro no bolso do peito, abotoar-se á mesm’alma, pagar o livro ao Rodrigues, e sair, ficando quêdo e mudo, como se, aquelle caso formidando, estivesse a ponto de entupir-lhe por uma vez a falla.

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[reprodução integral da primeira das Mil e Uma Histórias, de Julio Cesar Machado, Lisboa: Empreza Litteraria, 1888, pp. 7-10 --- para uma imagem maior ou mais legível do cartaz do Bargossi, o melhor é ir directamente à fonte]

Há quase 100 anos, a Bertrand mudava de dono e de prateleiras. Foi (salvo erro) na Ilustração Portugueza n.º 312, de 12 de Fevereiro de 1912, que o facto mereceu destaque, com fotografias de Benoliel e as seguintes legendas:

A nova instalação da Livraria Bertrand – A mais antiga livraria de Lisboa, a Bertrand, onde o marquez de Pombal instalára o velho livreiro francez, acaba de passar por uma grande transformação, sendo hoje propriedade da firma Aillaud, Bastos & Alves, os conhecidos editores de Paris, Lisboa e Rio de Janeiro.

A nova e artística instalação da antiga livraria Bertrand, em que actualmente estão associadas as poderosas casas editoras do Rio de Janeiro e de Paris, Aillaud e Francisco Alves, que projectam promover em grande escala a infusão das duas grandes literaturas portugueza e brazileira nos mercados de livros de Portugal e do Brazil.

Assim de repente, lembram-me as estantes centrais da grande Barateira (à Trindade), a escola de muitos dos actuais alfarrabistas de Lisboa.

Com a chancela da Polícia de Segurança Pública de Lisboa, o passe de imprensa n.º 353 (ou 359, está sumido o número), relativo ao ano de 1924, para João Herculano Pereira, na altura redactor do Correio da Noite, mais tarde director do ABC. Com foto do jovem jornalista Herculano Pereira, selo branco e carimbo-assinatura do comissário geral da polícia. Gasto nas orlas. 7,5cm x 9,5cm. Preço: 12 euros.

O ALFARRABISTA MANUEL DOS SANTOS, por João Paulo Freire (Mário):

Aquêle Manuel dos Santos que acompanhámos ao cemitério, merece bem duas palavras de necrologia. Êle foi o mais completo expoente do que é e do que pode ser uma vocação, porque, de ofício bem diferente, como seu irmão José, ambos se lançaram à vida de livreiros-alfarrabistas, ali em baixo ao fundo dos Paulistas, na mesma acanhada baiúca onde hoje pontifica José dos Santos.

Ali começou para os dois o comércio do livro raro e do livro usado. Do livro que já se não quere e do livro que ansiosamente se procura. Um dia o Manuel separou-se do irmão e veio para a esquina da Bica, já livreiro lançado, e uma que outra vez livreiro-editor, em assuntos camilianos. Foi o Manuel dos Santos que me editou, em 1917, A Campanha da Lápide, como cinco anos depois editava, a Alberto Pimentel, O Torturado de Seide.

Como livreiro, Manuel dos Santos foi dos mais arrojados do seu tempo. Pode afirmar-se que fêz o que se chama uma revolução no mercado do livro antigo. E sem ter fundos conhecimentos, quási sem base própria, era tal a sua vocação e a sua fôrça de vontade, que muitas vezes supria pela audácia inteligente a sua impreparação.

Deixa uma vasta obra de catalogação bibliográfica, obra importante, de admirável documentação, por cujas páginas passa o que temos de melhor na bibliografia portuguesa.

Como livreiro camilista, Manuel dos Santos, não só criou, a seis anos do centenário, o gôsto e a procura pelas raridades de Camilo, como, tornando-se o seu comentador bibliográfico, nos deixou a melhor, a mais completa e a mais interessante de tôdas as documentações que no género têmos sobre Camilo. São dois volumes e um tômo, já hoje raros, estimados e valorizados no mercado livreiro.

Na sua pequena loja, hoje muito desfalcada, havia, ainda não há muito, verdadeiras preciosidades que êle vendeu, principalmente para a Inglaterra e para o Brasil, e, pode afirmar-se que, tirando seu irmão José, tinha, como livreiro, a mais preciosa de tôdas as camilianas que eu conheço.

Activo, enérgico, trabalhador, morre na fôrça da vida, um rapaz ainda, quando precisamente os seus conhecimentos adquiridos o começavam a impôr como um valor na difícil e complicada ciência de conhecer os livros.

De bem conhecer, de bem os comprar, e de melhor os vender…

Tinha admiráveis qualidades como cidadão, e era, no meio livresco lisboeta, uma figura interessante que se impunha, pela sua lealdade, pela sua bondade, e para nós jornalistas pela amizade que a quási todos dispensava, amizade cheia de franqueza, amizade de quem percebia, por um fino espírito de subconsciência, que, jornalistas e livreiros, são duas classes afins.

Pobre Manuel dos Santos!

Ainda há meia dúzia de dias êle me dizia, brincalhão e alegre, referindo-se ao seu leilão marcado para ontem:

- Vê lá, não faltes. Olha que tens lá pechinchas!

Não faltes… Sim. Eu não faltei. Êle coitado é que não presidiu à venda dessas pechinchas.

Veio a morte [8 de Janeiro de 1922] antes de tempo e fechou-se a última folha dêste safado livro da vida que todos nós vamos agora lendo, parece que em 2.ª mão…

Que descanse em paz, o pobre Manuel dos Santos.

—————————————-

«O Alfarrabista Manuel dos Santos» in João Paulo Freire (Mário), TÔRRE DO TOMBO… Crónicas Dispersas, Lisboa: Edição do Autor, 1937.

Cartão pessoal do empressário de cinema Vicente Alcântara, posterior a 1949, com belíssimas fontes tipográficas (a azul) da época e uma mensagem pessoal, no verso, dirigida ao cineasta Baptista Rosa, com o seguinte texto:

Preciso hoje 5.ª feira sem falta o texto, para domingo até às 5 horas.

Vicente Alcântara foi um empresário de cinema activo principalmente no 2.º quartel do século XX, melhor dizendo no período em que o cinema passou de mudo a sonoro, e do preto e branco à cor. Sócio-gerente da firma FILMES ALCÂNTARA, foi empresário do cinema Odeon desde 1937, ao qual juntou os cinemas Palácio e Royal a partir de 1949, tendo sido um dos responsáveis por introduzir nas salas de cinema portuguesas filmes de cariz popular, como os melodramas e musicais de línguas latinas. Em 1921, num famoso rasgo de génio e ainda no tempo do cinema mudo, foi o primeiro empresário, em sociedade com Artur Emauz, a contratar ALFREDO MARCENEIRO. No contrato ficou estabelecido que Marceneiro cantaria nos intervalos das sessões do cinema CHIADO TERRASSE, e ao que se sabe, tanto o fadista como as sessões do cinema saíram extremamente beneficiados, em termos de fama e público.

Medidas do cartão: 14x8cm. Preço: 10 euros.

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