OPERAÇÃO 1
[13Ago11]
OPERAÇÃO 1
Organização de
E. M. DE MELO E CASTRO
Capas de JOÃO VIEIRA, diferentes para cada um dos 100 exemplares da tiragem original, feitas a partir de cartões dos moldes das rotativas do Diário de Notícias.
Colaboração de ANA HATHERLY (8 fases de desenvolvimento e 1 ideograma de um alfabeto estrutural), ANTÓNIO ARAGÃO (2 cartazes), JOSÉ ALBERTO MARQUES (9 homeóstatos), E. M. DE MELO E CASTRO (10 sintagmas divididos por 3 folhas) e PEDRO XISTO (epitaphalamia).
Caixa de cartão contém 28 cartolinas de 34 x 50 cm, que seriam incluídas numa exposição-performance na Galeria Quadrante que, nas palavras de Daniel Pires, constituiu uma «experiência inédita no panorama artístico-literário português, conciliando a inovação e o experimentalismo no domínio poético e plástico».
Peça importante na história da poesia experimental portuguesa.
Preço: 350 euros.
fora de comércio
[13Ago11]








VENEZA DE VISTA E OUVIDO
LÉLIA COELHO FROTA
Exemplar n.º 84 de uma tiragem única de 100 exemplares numerados e assinados pela autora, fora de mercado, para oferta a amigos. Edição bilingue, com tradução italiana de Luciana Stegagno Picchio. Prefácio de Alexandre Eulálio. Vinhetas de Maria Leontina. Projecto gráfico de Cecília Jucá de Holanda. 46 páginas. 12x16cm. Rio de Janeiro, 1986.
Acabado de imprimir a 11 de Julho de 1986, data do 48.º aniversário de Lélia Coelho Frota. Autografado (e emendado) pela autora com dedicatória à poetisa e tradutora Maria da Saudade Cortesão, esposa do poeta Murillo Mendes.
Lélia Coelho Frota, historiadora de arte e especialista em cultura popular brasileira, foi curadora da representação brasileira nas Bienais de Veneza de 1978 e 1988, a primeira das quais corresponde à data em que este conjunto de poemas foi escrito.
Preço: 45 euros.
Informação complementar:
- Antologia de poemas por António Miranda, aqui.
- O exemplar n.º 21 de Veneza de Vista e Ouvido foi oferecido ao escritor brasileiro Lázaro Barreto (aqui).

EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL
SURREALISMO E PINTURA FANTÁSTICA
Com a participação do Movimento «Phases»
MÁRIO CESARINY
et al.
Catálogo da exposição organizada por Mário Cesariny e Carlos Martins em Dezembro de 1984, no Teatro Ibérico (Lisboa). Catálogo organizado por Mário Cesariny (trabalho que incluiu, muito provavelmente, uma boa parte das traduções).
Colaborações de Mário Cesariny, António Maria Lisboa, Pedro Oom, António Dacosta, Mário Henrique Leiria, António Areal, Maria Helena Vieira da Silva, Cruzeiro Seixas, Cândido Costa Pinto, Júlio Reis Pereira, Isabel Meyrelles, Eurico, Malangatana, João Pedro Grabato Dias, Lima de Freitas, João Rodrigues, Iaroslav Serpan, Laurens Vancrevel, Sérgio Lima, Mário Botas, Nicolau Saião, Joaquim Antunes, Nicolas Calas, Philip West, Jorg Remé, Rik Lina, Raul Perez, Tony Pusey, Sjon, Georg Broe, Édouard Jaguer, Gérard Legrand, Jean-Marc Debenedetti, E.F. Granell, J. F. Aranda, Enrique Carlon, Ludwig Zeller, John Lyle, Anthony Earnshaw, Martin Stejkal, Ted Joans, Franklin Rosemont, Penélope Rosemont, Nancy Joyce Peters, Robert Green, C. Brooke Rothwell, e outros.
Orientação gráfica de Garizo do Carmo. 148 páginas. 21 x 29,5 cm. Edição subsidiada pelo Ministério da Cultura. Exemplar invulgarmente bem conservado: mantém a sobrecapa de plástico, com o título impresso a negro, intacta.
Preço: 100 euros.


A imagem da capa do catálogo é uma reprodução da lâmina 6 [«A pag. cõtem a criação do Sol E da lua, que dividissem o dia da noyte hum servindo ao dia, E a outra a noyte»] do livro de Francisco de Holanda, De Aetatibus Mundi Imagines, que a Biblioteca Nacional de Espanha disponibiliza, magnificamente digitalizado, neste link [uma dica do Tiago Baptista].
Um autógrafo para Alexandre Herculano
[10Jun11]


PROJET DE RÉFORME PARLEMENTAIRE ÉLECTORALE
ADRESSÉ A L’ASSEMBLÉE NATIONALE LÉGISLATIVE DE LA FRANCE
LUCIANO LOPES PEREIRA
Resumido da seguinte forma no rosto: Organisation législative intégrale (A bas les monocéphalies et bicéphalies législatives); Representation des classes (A bas l’absurde représentation des localités); Hiérarchie des capacités (A bas les capacités improvisées); Système des candidatures (A bas la duperie électorale).
Encadernação da época, com desgaste superficial. 20 páginas. 17 x 25 cm. Rio de Janeiro: Typographia Franceza, 1849./// Autografado pelo autor, docteur de la faculté de médecine de Paris, para «o distinto historiador Alexandre Herculano».
Preço: 50 euros.


PALAVRAS CYNICAS
ALBINO FORJAZ DE SAMPAYO
Rara primeira edição, datada de 1905, e que segundo a lenda foi reeditada quarenta e seis vezes durante o tempo de vida do seu autor (a mais recente edição portuguesa é da Guerra & Paz). /// Exemplar em óptimo estado de conservação. Com uma assinatura de posse (na capa), do escritor Carlos Portugal Ribeiro, datada de 1910, mas também um selo da biblioteca deste escritor no ante-rosto, e um carimbo com o seu nome, no rosto. Todos eles bastante inócuos, e acrescentando mesmo alguma invulgaridade ao objecto. 136 páginas. 12 x 19 cm. Lisboa: Livraria Editora Viúva Tavares Cardoso, 1905.
Preço: 60 euros.
Um raro autógrafo de GUERRA JUNQUEIRO
[30Out10]
Um opúsculo de Herculano de 1837
[20Jul09]

A Voz do Propheta é a primeira publicação de Alexandre Herculano (1810-1877) a ter impacto, e consequências, públicas. Texto de cariz político e religioso, foi publicado anonimamente, como defesa do cartismo, a pretexto da abolição da Carta Constitucional pelos Setembristas. Herculano, que havia jurado fidelidade à Carta, pedira a demissão do cargo que ocupava como bibliotecário, no Porto, e partiu para Lisboa, onde faz publicar o opúsculo.
Data de Novembro de 1836 a primeira série d’A Voz do Propheta, e em Fevereiro do ano seguinte sai a segunda série. Apesar de partilharem título e temática, são duas publicações distintas e independentes uma da outra, bastante raras em primeira edição.
Na sua forma e estilo, segundo os historiadores sclabitanos Jorge Custódio e José Manuel Garcia explicam na introdução à edição crítica dos Opúsculos de Herculano, foram textos inspirados numa obra de Lamennais:
Regressando a Lisboa e desejando atacar violentamente a situação dominante, [Herculano] decidiu-se a redigir uma obra contundente, e que pudesse alcançar um sucesso idêntico ao que Paroles d’Un Croyant, de Lamennais, tivera em França dois anos antes. Esta, escrita em estilo bíblico, defendia ideais democráticos e fora objecto de duas traduções portuguesas em 1836, uma das quais de António Feliciano de Castilho, que para ela escreveu um prefácio datado de 1835. Mas se as Paroles d’Un Croyant são a fonte mais próxima de inspiração de Herculano, por sua vez este dá à sua obra uma caracterização própria e um sentido contrário, defendendo a Carta Constitucional de uma forma exacerbada contra as atitudes das massas populares que participaram na revolução de Setembro.
A Voz do Propheta é, para lá de um documento vincadamente caracterizado pelo seu espírito político e de combate ideológico, a expressão do Romantismo de Herculano através de uma forma egocêntrica e aceitando o cristianismo como uma religião que corresponde às necessidades do homem.
* * *
Esta é a primeira edição da segunda série d’A Voz do Propheta:



A VOZ DO PROPHETA. Segunda Série, Lisboa: na Typografia Patriótica, de C. J. da Silva e Comp.ª, 1837. /// 13 x 19 cm. Com capas de brochura (e ainda atado com o cordel oitocentista). 32 páginas. Bom estado (picos de humidade limitados à primeira e última páginas). /// Raro. /// Preço: 160 euros.
* * *
Os opúsculos de Alexandre Herculano ocupam um lugar importante na sua obra, e ajudam a perceber como ele se foi posicionando perante a política, a sociedade, a cultura e as instituições do seu tempo, ao longo da sua vida pública. Como é sabido, o autor isolou-se do mundo numa quinta em Vale de Lobos (donde lhe veio a alcunha de «Lobo do Vale»), em 1867, tendo-se dedicado à agricultura e à produção de azeite (o «Azeite Herculano» foi premiado na Exposição Universal de Paris de 1876).
Ramalho Ortigão, ao escrever-lhe o obituário, em 1877 — publicado no volume III das Farpas —, afirma que Herculano estava “morto” desde 1867, ano em que resolveu partir-para-não-voltar de Vale de Lobos:
O dia do nosso grande luto nacional não é aquele em que expirou o solitário ilustre, mas sim aquele em que deixou de existir para o vertiginoso bulício da vida pública o ardente escritor, que no seio da multidão flutuante, estrepitosa, leviana, indiferente, pérfida, traiçoeira, ingrata, lançava às praças e às ruas públicas, lamacentas e sórdidas, as suas ideias de cada dia, nobres, castas, desinteressadas, aladas pelo alfabeto tipográfico, adejando sobre as imundícies e sobre as dejecções da cidade, como douradas abelhas impolutas, que vão de alma em alma sacudindo das asas luminosas em pólen diamantino a divina verdade.
Nesses primeiros anos de vida agrícola, o grande historiador foi várias vezes desafiado pelos seus editores, os Bertrand, a coligir e reeditar os numerosos opúsculos que fora publicando desde 1836. O autor acedeu, no início da década de 70, e finalmente em 1873 lá veio a lume o primeiro volume, rapidamente esgotado. A edição constaria de dez volumes, mas apenas os três primeiros preparados por Herculano, sendo os restantes sete póstumos (o último data de 1908).
A Biblioteca Nacional tem a primeira edição dos Opúsculos (bem) digitalizada e acessível online, mas não só: estão lá também, integralmente disponíveis online, a incontornável História de Portugal, as Lendas e Narrativas, o Eurico, o Presbítero, e a História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal, entre outros (total de 12 títulos). Consulte-se a lista completa aqui.
É curioso, por exemplo, cotejar a primeira edição d’A Voz do Propheta, com a que Herculano preparou para os Opúsculos (conferir a partir da página 77 do primeiro volume), 37 anos depois. Há pequenas alterações estilísticas, visíveis logo nos primeiros parágrafos:

1837:
Lisboa, Cidade de marmore e de granito, rainha do oceano, tu és a mais formosa entre as cidades do mundo. /// A brisa, que varre os teus outeiros, é pura como o céu azul, que se espelha no teu amplo porto, semelhante a um grande mar.
1873:
Lisboa, cidade de marmore, rainha do oceano, tu és a mais formosa entre as cidades do mundo. /// A brisa que varre os teus outeiros é pura como o céu azul, que se espelha no teu amplo porto, semelhante a grande mar.
* * *
Os Opúsculos em 10 volumes foram inúmeras vezes reeditados, tais como as restantes obras de Herculano, pela sua editora de sempre (Bertrand) até 1982, ano em que a obra entrou no domínio público. Nesse ano, a Editorial Presença iniciou a publicação de uma edição crítica dos Opúsculos, da autoria dos já citados Jorge Custódio e José Manuel Garcia, pensada para condensar os 10 volumes da edição Bertrand em apenas cinco, aos quais se acrescentariam outros três que reuniriam artigos dispersos por jornais e revistas, polémicas, inéditos e esparsos, tais como os Estudos Sobre o Casamento Civil (volume VI). Desses oito volumes planeados, só seis foram publicados, e é de assinalar que hoje, no site da Editorial Presença, não haja uma única referência nem a Herculano nem aos seus Opúsculos, há muito esgotados:
um passe de imprensa de 1924
[14Out08]

Com a chancela da Polícia de Segurança Pública de Lisboa, o passe de imprensa n.º 353 (ou 359, está sumido o número), relativo ao ano de 1924, para João Herculano Pereira, na altura redactor do Correio da Noite, mais tarde director do ABC. Com foto do jovem jornalista Herculano Pereira, selo branco e carimbo-assinatura do comissário geral da polícia. Gasto nas orlas. 7,5cm x 9,5cm. Preço: 12 euros.










































