Fogo Preso (1976)
[03Dez11]

FOGO PRESO
MIGUEL TORGA
Querido leitor: Vais ler, baptizadas com um título simbólico, algumas páginas de circunstância. Fogo preso é, como sabes, a expressiva designação de um género de pirotecnia em que toda a inventiva se processa ao rés-do-chão. Ao invés da girândola, do morteiro ou do simples foguete de três respostas, que são delírios soltos, aqui a fantasia arde, roda, faísca, estoira, mas não voa. Amarrado, o engenho do artífice não tem licença para subir ao céu de nenhuma ilusão e desprender-se de lá, no fim da vertigem, numa lágrima de colorida melancolia.
1.ª edição. Volume de prosa, reunindo intervenções públicas do autor (entrevistas, discursos, conferências, alocuções, palestras), realizadas entre 1945 e 1976. Algumas não chegaram a ser lidas ou publicadas, por motivos censórios, e só o puderam ser após o 25 de Abril de 1974. Textos sobre Eça de Queirós, Teixeira de Pascoaes, Coimbra, Trás-os-Montes, etc. 131 páginas (muitas por abrir). 14 x 19,5 cm. Coimbra: Edição do autor, [Abril de] 1976.
Bom exemplar, apenas com uma assinatura de posse no ante-rosto.
Preço: 30 euros.
Adolfo Casais Monteiro
[03Nov11]
CONSIDERAÇÕES PESSOAIS
ENSAIOS
ADOLFO CASAIS MONTEIRO
Primeiro livro de ensaios do autor (1908 – 1972), co-director da Presença a partir de 1931 e até ao último número publicado, em 1940 (José Régio e João Gaspar Simões partilhavam com Casais Monteiro a direcção da revista). O ensaio de abertura, «A Arte contra a Ordem», começa da seguinte forma:
Adormecendo com sempre renovado sono após a descoberta duma nova direcção; após cada revolução caindo na escolástica do que ela trouxe de novo, tendemos a esquecer que toda a obra de génio que repousa nas nossas estantes, ou na parede severa dos museus, com a segurança dum incontestável classicismo, foi um dia motivo de escândalo, objecto de sarcasmo e riso, quando não duma completa indiferença.
Com ensaios sobre cinema, crítica literária, Mário de Sá-Carneiro, Goethe e Benjamin Jarnés, e outros que falam de José Régio, Tolstoi, Dostoievski, James Joyce, Marcel Proust, Paul Valéry, Stéphane Mallarmé ou Jules Supervielle. 213 páginas. 12 x 19 cm. Um excelente exemplar, muito estimado. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1933 (foi reeditado em 2004, com um novo prefácio de Carlos Leone).
Como curiosidade, refira-se a existência desta obra na biblioteca pessoal de Fernando Pessoa.
Preço: 30 euros.

ADOLESCENTES
ADOLFO CASAIS MONTEIRO
Primeiro, e único, romance de Casais Monteiro. Capa de Roberto Araújo. Página de guarda com um carimbo «Oferta dos Editores» e uma nota manuscrita: «Para a Biblioteca do SEN». 201 páginas. 13 x 19,5 cm. Porto: Editorial Ibérica, 1945.
Invulgar.
Preço: 40 euros.
O CORSÁRIO
JEAN DRAULT
Tradução de ADOLFO CASAIS MONTEIRO. Segundo o prefácio de Drault, este romance de pirataria é, sob certos aspectos, «uma nova história de Robinsons», passada na Ilha Maurícia. Com 224 páginas, e 12,5 x 19 cm. Porto: Editora Educação Nacional, 1941.
Preço: 10 euros.
A POESIA DE JULES SUPERVIELLE
ESTUDO E ANTOLOGIA
ADOLFO CASAIS MONTEIRO
Com a seguinte nota inicial de Casais Monteiro: Este estudo sobre a poesia de Supervielle foi publicado anteriormente em edição da «Presença»(1938), e reproduz-se aqui sem alterações substanciais, por ter o autor entendido que os livros posteriormente publicados pelo poeta não alterarem as perspectivas aqui lançadas sobre a sua obra, podendo considerar-se que, após Les Amis Inconnus, não houve enriquecimento, nem surgiram novos caminhos na sua poesia.
Inclui uma fotografia de Supervielle em extra-texto. 159-(5) páginas. 13 x 19 cm. Capa com algumas manchas, lombada escurecida e miolo impecável. Publicado na colecção Antologia de Autores Portugueses e Estrangeiros, da editora Confluência, Lisboa, [s.d.].
Preço: 12 euros.

POESIAS COMPLETAS
1929 – 1969
ADOLFO CASAIS MONTEIRO
Compilação de (quase) toda a poesia publicada por Adolfo Casais Monteiro, com um prefácio do autor e acrescida do livro inédito O Estrangeiro Definitivo, escrito no Brasil. Capa de João da Câmara Leme. Com xii-346 páginas, e 14 x 20 cm. Um bom exemplar. Colecção Poetas de Hoje, n.º 32. Lisboa: Portugália, 1969.
Preço: 30 euros.

ESTRUTURA E AUTENTICIDADE
NA TEORIA E CRÍTICA LITERÁRIAS
ADOLFO CASAIS MONTEIRO
Capa de Armando Alves. 160 páginas. 15 x 24 cm. Colecção Estudos Gerais, série Universitária. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1984. Esgotado.
Preço: 15 euros.

A POESIA PORTUGUESA CONTEMPORÂNEA
ADOLFO CASAIS MONTEIRO
Dividido em seis partes: «Os Primeiros dos Modernos» (Cesário Verde, António Nobre e os precursores); «A Transição» (Guerra Junqueiro, Teixeira de Pascoaes, o simbolismo e o modernismo); «Orpheu» (Mário de Sá Carneiro et alli); «Depois do Orpheu» (do Orpheu ao Novo Cancioneiro, Afonso Duarte, José Gomes Ferreira, João Cabral do Nascimento, António Botto e António de Sousa); «A Presença e depois» (José Régio, Carlos Queirós, Fausto José, Saul Dias, Miguel Torga, Alberto de Serpa, Pedro Homem de Mello, Manuel da Fonseca, Joaquim Namorado, Sidónio Muralha, Jorge de Sena, Tomás Kim, Ruy Cinatti, José Blanc de Portugal, Alexandre O’Neill, Alberto de Lacerda, Armindo Rodrigues, Cristovam Pavia e Carlos Maria de Araújo); e um «Apêndice», com dois textos, um sobre um inquérito da revista Capricórnio, de 1953, o outro sobre o escritor brasileiro Fausto Cunha.
Primeira edição (póstuma). Prefácio do autor. Capa de Sebastião Rodrigues. Assinatura de posse no ante-rosto. Com 14 x 21 cm, e vi-336 páginas. Bom exemplar. Lisboa: Sá da Costa, 1977.
Preço: 15 euros.

António Manuel COUTO VIANA
[17Ago11]

VOO DOMÉSTICO
ANTÓNIO MANUEL COUTO VIANA
Poemas. Primeira edição. 72+(4) páginas. 13,5 x 20,5 cm. Assinatura de posse no rosto. Colecção Licorne, n.º 10, da editora Arcádia, Lisboa, Abril de 1978.
Preço: 15 euros.

AS (E)VOCAÇÕES LITERÁRIAS
ANTÓNIO MANUEL COUTO VIANA
Crónicas, «memórias e esboços de estudos literários», anteriormente publicados em jornais e revistas, sobre autores com os quais Couto Viana conviveu ou sentiu afinidades literárias, dando primazia aos poetas:
Afonso Lopes Vieira, Alberto d’Oliveira, Alfredo Pimenta, Alfredo Serrano, Álvaro Benamor, Américo Cortez Pinto, António Alves Martins, António Corrêa d’Oliveira, António Patrício, Augusto Lima, Azinhal Abelho, Blanco-Amor, Camilo Castelo Branco, Eça de Queiroz, Ernesto Sardinha, João de Deus, Francisco de Almeida, João da Rocha, João Verde, José de Almada Negreiros, José Bruges, José Régio, Júlio Brandão, Manuel Lereno, Odylo Costa, Filho, Teixeira de Pascoaes, Teófilo Carneiro, Vasco de Lima Couto e Vitorino Nemésio.
O livro termina com alguns textos mais generalistas: Cancioneiros Galantes, A Poesia Viaja de Comboio, Os Poetas e o Comércio, Poesia Militante, A Sátira à Política na Poesia Portuguesa, e Queixas contra a Inglaterra na Poesia Portuguesa.
255 páginas. 15 x 21 cm. Edição do autor, Lisboa, 1980. Excelente exemplar.
Preço: 12 euros.

PONTO DE NÃO-REGRESSO
ANTÓNIO MANUEL COUTO VIANA
Poemas datados 1977-1980, antecedidos por um estudo de cerca de 15 páginas da autoria de Franco Nogueira. Capa de Vítor Luís, com um desenho de Juan Soutullo. 115 páginas. 15 x 21 cm. Tiragem de 500 exemplares. Impecável estado de conservação. Braga: Editora Pax, 1982.
Preço: 12 euros.

SOU QUEM FUI
Antologia Poética
ANTÓNIO MANUEL COUTO VIANA
Primeira edição. Com uma nota prévia do autor, escrita por ocasião dos 50 anos de poesia (1948-1998). Posfácio de JOÃO BIGOTTE CHORÃO. Na colecção Poesia, fundada por Luís de Montalvor. Capa com um desenho de Almada Negreiros. 193 páginas. 13,5 x 20 cm. Lisboa: Edições Ática, 2000.
Preço: 15 euros.


AS “FUNÇÕES” PATRIÓTICAS DO ABADE DE LOBRIGOS
ANTÓNIO MANUEL COUTO VIANA
Separata de Estudos Regionais, vol. 18. Viana do Castelo: Centro de Estudos Regionais, 1997. 12 páginas. 17 x 23 cm. Autografado com dedicatória do autor ao poeta minhoto João Marcos.
Preço: 15 euros.

UM PASSEIO CULTURAL NA POESIA DE ANTÓNIO FERREIRA
ANTÓNIO MANUEL COUTO VIANA
Palestra proferida em 2 de Março de 1996 na Sede da Casa do Concelho de Ponte de Lima. Ilustrado com fotografias. Lisboa: Casa do Concelho de Ponte de Lima, 1996. Ilustrado. 32 páginas. 16 x 23 cm.
Preço: 10 euros.

VIANA NA POESIA DE MARIA MANUELA COUTO VIANA
ANTÓNIO MANUEL COUTO VIANA
Retrato da poetisa por Carlos Carneiro. Separata de Estudos Regionais, vol. 21. Autografado com dedicatória do autor ao poeta minhoto João Marcos. 16 páginas. 17 x 23 cm. Viana do Castelo: Centro de Estudos Regionais, 2000.
Preço: 15 euros.
PRIMEIRA AVENTURA NO MUNDO
das MEDIDAS e dos NÚMEROS
Texto de ANTÓNIO MANUEL COUTO VIANA sobre documentação de T. Thoburn e E. Clark. Ilustrações de J. Kaufman e J. P. Miller. Cartonado. Manuseado. 62 páginas. Formato oblongo: 26,5 x 19,5 cm. Lisboa: Verbo, [s.d.].
Preço: 10 euros.

PRIMEIRA AVENTURA NO MUNDO
da FANTASIA
Texto de ANTÓNIO MANUEL COUTO VIANA sobre documentação reunida por J. Jasper Turner e L. B. Jacobs. Cartonado. Manuseado (e com um pequeno defeito na última página). 62 páginas. Formato oblongo: 26,5 x 19,5 cm. Lisboa: Verbo, [s.d.].
Preço: 5 euros.
4 obras de Jacinto do Prado Coelho
[13Mar10]
DIVERSIDADE E UNIDADE EM FERNANDO PESSOA, por Jacinto do PRADO COELHO. /// Dissertação apresentada em concurso para Professor Extraordinário de Filologia Românica da Faculdade de Letras de Lisboa, 1949. /// 126 páginas. 18 x 25 cm. Meia-encadernação de pele com cantos, e algum cansaço. Lombada com 4 nervos, gravada a ouro. Interior impecável. /// Preço: 40 euros. Leia o resto deste artigo »
António Manuel Couto Viana
[11Dez07]
Na sequência de Coração Arquivista (1977), um título feliz para qualquer bibliófilo, António Manuel Couto Viana publicou, em 1980, As (e)vocações Literárias, onde reuniu novamente uma série de crónicas ou «memórias e esboços de estudos literários» anteriormente publicadas em jornais e revistas sobre autores com os quais conviveu ou sentiu afinidades literárias, dando primazia aos poetas:
- Afonso Lopes Vieira
- Alberto d’Oliveira
- Alfredo Pimenta
- Alfredo Serrano
- Álvaro Benamor
- Américo Cortez Pinto
- António Alves Martins
- António Corrêa d’Oliveira
- António Patrício
- Augusto Lima
- Azinhal Abelho
- Blanco-Amor
- Camilo Castelo Branco
- Eça de Queiroz
- Ernesto Sardinha
- João de Deus e Francisco de Almeida
- João da Rocha
- João Verde
- José de Almada Negreiros
- José Bruges
- José Régio
- Júlio Brandão
- Manuel Lereno
- Odylo Costa, Filho
- Teixeira de Pascoaes
- Teófilo Carneiro
- Vasco de Lima Couto
- Vitorino Nemésio
[… e terminando o volume com alguns textos menos personalizados:]
- Cancioneiros Galantes
- A Poesia Viaja de Comboio
- Os Poetas e o Comércio
- Poesia Militante
- A Sátira à Política na Poesia Portuguesa
- Queixas contra a Inglaterra na Poesia Portuguesa
Se já em Coração Arquivista se tinha debruçado sobre Almada Negreiros (ler aqui), a história que conta n’As (e)vocações Literárias repesca, além de referências ao contexto em que o artista parte para Paris em 1919, os desagradáveis comentários com que Mário Saa, na sua acintosa obra A Invasão dos Judeus, brindou Almada: «um estômago judaico-africano a digerir influências francesas». Suprema afronta: além de judeu, também africano… Sim, porque para Mário Saa, e citando Couto Viana dada a inacessibilidade da obra em questão, «o judeu é o único indivíduo (não sei porque natureza excepcional) capaz de nutrir rancor ao militarismo». Vai daí, Couto Viana termina esta crónica, em que se debruça superficialmente sobre as contradições do pensamento nacionalista de Almada Negreiros, com a reprodução de uma Chanson Patriotique, composta pelo artista em Paris, 1919:
CHANSON PATRIOTIQUE
(Temps de marche militaire
aux femmes de mon pays)
O femmes venez venez
O femmes venez toutes
faire de la vraie sculpture
de celle qui plaît a Dieu
O femmes venez venez
O femmes venez toutes
faire de la vraie sculpture
comme la font les vrais animaux
O femmes venez venez
O femmes venez toutes
Femmes n’oubliez pas
que vous êtes les seules machines
pour faire des soldats!
Ainda sobre Almada, e como apronfudamento de ambas as crónicas de Couto Viana, leia-se a célebre entrevista ao programa Zip-Zip, em 1970, e uma carta inédita, datada de Paris, 1919.

A segunda obra de António Manuel Couto Viana da qual possuímos alguns exemplares é um livro de poesia, Ponto de Não Regresso (poemas datados 1977-1980, obra publicada em 1982), que ainda conserva a cinta original, como se pode ver na imagem. Os poemas são antecedidos por um ensaio de cerca de 15 páginas da autoria de Franco Nogueira. A capa é de Vítor Luís, com um desenho de Juan Soutullo. O livro termina com uma «Súbita Vaidade»:
Detrás das palavras gastas,
Há um ímpeto criador:
Ó leitor que me afastas,
Deves ler-me outra vez, lerás melhor.
Dei sinais, dei avisos, dei memória
Não só de mim.
Poesia transitória?
Quem o disse morreu antes de ver-lhe o fim.
Juntai nova semente aos velhos grãos
De terra fértil, que reguei com pranto.
E recebi, depois, nas próprias mãos,
O fruto acre do meu canto.
Mas se alguém o comer (e a fome é certa!)
Há-de encontrar-lhe um funde de doçura:
O coração atento, a alma aberta
Ao amor e à procura.
Não, não secou ou amornou a fonte
Que em cada livro meu, quente, fluía!
- É estéril e seco o horizonte
De quem ignora a minha poesia!
Refira-se, para terminar, que nem um nem outro livro conheceram 2.ª edição, e que tiveram tiragens de 1000 exemplares (ensaio) e 500 exemplares (poesia).
Exemplares em óptimo estado de conservação.
Preço: 12 euros (cada).























